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O futuro do ‘Lance!’

Ontem (01), noticiou-se que o jornal ‘Lance!’, após período sequencial de equívocos administrativos, foi vendido a um grupo de empresários por R$ 25 milhões.

Fosse há alguns anos, seria uma pechincha.

O Lance!, em determinado momento, chegou a ser a mais relevante publicação esportiva do país, a ponto de praticamente exterminar a histórica ‘Gazeta Esportiva’ do mercado.

No estilo tabloide, mesclava seriedade jornalística com a linguagem do torcedor, além de um visual moderno a preço acessível.

O que deu errado?

Segundo jornalistas que trabalharam na publicação, enquanto a redação se desdobrava para apresentar resultados importantes, o dinheiro era extremamente mal gerido pela administração.

Acumulava-se dívidas quase na mesma proporção dos investimentos equivocados.

Outro problema, foi sucumbir à pressão dos sistema, com o jornal passando a prestigiar textos que exaltavam clubes e campeonatos, em detrimento à credibilidade do bom jornalismo.

‘De Prima’, até então a principal coluna do jornal, demitiu a Editoria e mudou radicalmente de comportamento, tornando-se mera republicadora de matérias doutras fontes – sem que se desse o devido crédito – ou especuladora informal de ‘notícias’ que os empresários da bola queriam publicadas.

Os colunistas mais relevantes, salvo pontuais exceções, foram trocados por gente que se preocupava mais em promover torneios, jogadores e cartolas do que contar verdades sobre eles.

O público alvo, diante desse contexto, também se alterou.

Deixaram de consumir o jornal aqueles que, conjuntamente, tinham por hábito ler outras mídias tradicionais (‘Folha’, ‘Estadão’, ‘O Globo’, etc.), trocados pelos que se ‘informavam’, tão somente, em mídias sociais, precursores dos espalhadores de ‘fake-news’ do whatsapp.

Após a retirada da edição impressa das bancas – nesse caso não por culpa da empresa, mas pela tendência de mercado -, o Lance!, que já estava pequeno, ficou menor e, novamente, voltou a dividir espaço, desta vez virtual, com a Gazeta Esportiva, porém, diferentemente doutros tempos, ambos na irrelevância.

O desafio dos novos compradores, que, segundo informações, seriam os investidores Gustavo Agostini e Rafael Thomé, além do jornalista Raul Costa Junior, da RBS/Globo/Sportv, é o de, novamente, equilibrar a linha editorial.

Em mantendo o atual quadro, seguirão afastados de mercado publicitário e leitores qualificados.

O ‘Lance!’ precisa definir se disputará espaço no âmbito do jornalismo ou se o duelo se dará contra os diversos sites temáticos, muitos deles bancados ou acolhidos por clubes de futebol.

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