Não há inocentes entre os que manipularam as contas do Corinthians

Não surpreendeu a informação de que o balanço financeiro do Corinthians, referente às contas de 2019, foi maquiado, deixando de constar dívidas importantes como as da perda jurídica do processo envolvendo o jogador Jucilei.
A conta exata do déficit do clube, em vez de R$ 177 milhões, é de R$ 195,4 milhões.
Essa prática, da distorção financeira, chegou a ser denunciada, anos atrás, pelo então vice de finanças, Emerson Piovesan, referindo-se ao antecessor, Raul Corrêa da Silva, como ‘maquiador’ de balanço.
A fala está registrada em Ata de reunião de conselho e foi testemunhada por centenas deles, mas, de prático, nada aconteceu.
Tivessem investigado as documentações, à época, e talvez o clube não estivesse na situação atual.
De maneira correta, após ciência de nova manipulação, o Conselho Fiscal do Corinthians, presidido pelo advogado Haroldo Dantas, opinou pela reprovação das contas.
Agora, o CORI e o Conselho Deliberativo, diante das evidências, não tem outro caminho a não ser o de seguir a orientação, reprovando o balanço e, ato contínuo, afastando de seus cargos os responsáveis pelas irregularidades.
O Conselho de Orientação, porém, antes disso, fala em realizar ‘acareação’ entre a empresa auditora e os cartolas alvinegros, para saber quem, de fato, seriam os responsáveis pela maquiagem.
Trata-se de procedimento desnecessário e que servirá, apenas, para protelar a votação do que já está comprovado em documentos.
Levando-se em consideração que as práticas de maquiagens contábeis tornaram-se frequentes ao longo das gestões ‘Renovação e Transparência’, e que, nos últimos anos, a empresa de auditoria que as avalizou – indicada pelo ex-financeiro Raul Corrêa da Silva, nunca foi capaz de notá-las (apesar de ter acesso, ao longo dos anos, de toda a documentação), parece clara a existência de uma espécie de ‘parceria’ entre as partes.
Esse tipo de apuração deve ser destinada aos órgãos policiais ou à promotoria.
Ao clube cabe formalizar o Boletim de Ocorrência e acelerar a reunião do Conselho, para que o já comprovado – a fraude contábil, seja devidamente avaliado, assim como a responsabilidade dos gestores.
O quanto antes o Corinthians se livrar de seus captores, num ‘sequestro’ que já dura treze anos, será mais fácil evitar novas sangrias e possibilitar a difícil reconstrução, moral, financeira e esportiva da agremiação.

Ontem em um programa de uma rádio paulistana, o diretor financeiro Matias Ávila disse que o clube deve 3 meses de salário aos jogadores. Informou que a folha salarial é de 11 milhões e que a dívida seria paga com a venda do Pedrinho.