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O constrangedor silêncio das “autoridades” que compõem o Conselho do Corinthians

Na última semana, com a exposição do áudio que flagrava o diretor administrativo do Corinthians, André Negão, na condição de intermediário do presidente Andres Sanches, marcando com doleiro da Odebrecht o recebimento de propina paga pela construtora com objetivo de superfaturar a construção do estádio de Itaquera, os bastidores do Parque São Jorge entraram em polvorosa.

Opositores querem expulsá-los do clube, como ocorreu, no passado, com Alberto Dualib.

Dentre estes, alguns formalizaram pedido junto à Polícia Federal para retirada do sigilo nas investigações, que, se deferido, pode trazer à tona, além dos delatados conhecidos (Sanches, Negão e Vicente Cândido), nomes que participaram de toda a operação, mas hoje, convenientemente, abandonaram os ex-parceiros em meio ao caos.

O negócio “estádio de Itaquera”, nos terríveis termos assinados, não teria sido realizado sem o “trabalho” de Luis Paulo Rosenberg junto aos notórios corruptos da Odebrecht, o aval jurídico do Dr. Sérgio Alvarenga e financeiro do contador Raul Corrêa da Silva.

Se não se pode esperar solidariedade entre malfeitores, que adotam a prática do “Salve-se quem puder” quando acuados, é constrangedor, desde sempre, o silêncio, diante de graves acusações (não apenas estas, ligadas à obra da Arena) contra os cartolas alvinegros ao longo dos anos, das diversas “autoridades” que compõem o Conselho Deliberativo do Corinthians, principalmente dos, em tese, mais poderosos, que ocupam cargos de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Pior: algumas dessas “excelências” podem até ter prevaricado, tão próximas que eram dos citados corruptos, à ponto de frequentarem residência, mesa de reuniões, dividirem quarto de hotel, ingressos, comprar cadeira lado a lado no estádio, etc.

O desembargador mais sabujo dessa gente, mesmo após derrota política no TJ-SP, exatamente pela constatação da promiscuidade, segue sem-vergonha de permanecer ligado ao grupo, nos mais reprováveis sentidos da adjetivação.

Entre os demais, poucos não se aproveitaram da “farra”, hoje, sabe-se, proporcionada, quase sempre, pelo dinheiro ilícito de propinas de empreiteiros, agentes de jogadores e demais criminosos.

Alguns, em troca da vaidade da proximidade ao poder, outros porque gostam de lambuzar-se seja qual for a origem do “melado”.

Todos, excetuando-se, claro, um ou dois que sempre mantiveram-se em postura digna da profissão, trabalharam, arduamente, para a manutenção dos criminosos que, há doze anos, infelicitam o poder administrativo do Corinthians.

Uns com cargo (na gestão ou em órgãos consultivos e deliberativos), outros sem.

O indecente silêncio destas “autoridades”, seja para criticar os desonestos dirigentes ou até defendê-los, como sempre ocorreu, revela a covardia de quem demonstra-se valente somente vestido na toga, ainda assim, por vezes, utilizando o “poder” nos subterrâneos limites da imoralidade.

Tivessem vergonha, porque nunca foram inocentes em relação a saber o que acontecia nos bastidores do Corinthians, renunciariam a seus cargos no Parque São Jorge.

Nem todos tem.

No TJ-SP, por conta da necessidade pessoal de subsistência, não poderiam fazê-lo, mas estarão condenados, desde sempre – como ocorreu com o deplorável humilhado na política do Tribunal, a não olharem, com dignidade, nos olhos dos demais magistrados, marcados que estão como exemplo a não ser seguido na magistratura.

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