Temer presenteia Bolsonaro com Decreto assemelhado a Ato Institucional da Ditadura

No último dia 16 de outubro, entrou em vigor o Decreto nº 9527/18, assinado dia 15, pelo presidente Michel Temer, que amplia, em muito, o poder do Governo, que será ocupado, à partir de 2019, por Jair Bolsonaro.
O texto cria uma “Força Tarefa de Inteligência”, a pretexto de combate ao crime organizado, composta por representantes do seguintes órgãos:
- Gabinete da Presidência da República;
- ABI (Agência Nacional de Inteligência);
- Inteligência da Marinha;
- Inteligência do Exército;
- Inteligência da Aeronáutica;
- COAF (Controle de Atividades Financeiras) no Ministério da Fazenda;
- Receita Federal;
- Polícia Federal;
- Polícia Rodoviária Federal;
- Departamento Penitenciário Nacional;
- Secretaria Nacional de Segurança Pública
Nas atribuições da Força Tarefa, segundo texto do Decreto, estão:
“(…) o enfrentamento ao crime organizado no Brasil com as competências de analisar e compartilhar dados e de produzir relatórios de inteligência com vistas a subsidiar a elaboração de políticas públicas e a ação governamental no enfrentamento a organizações criminosas que afrontam o Estado brasileiro e as suas instituições”
O Coordenador da Força Tarefa “elaborará Norma Geral de Ação que regulará o desenvolvimento de ações e de rotinas de trabalho, em consonância com a Política Nacional de Inteligência – PNI, com a Estratégia Nacional de Inteligência – ENINT e com a legislação em vigor”
“A Força Tarefa será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada”
Os poderes concedidos a este novo grupo de atuação do Governo, com acesso, inclusive, à movimentação financeira de todos os brasileiros, assemelham-se aos que justificaram a criação, em passado recente, de órgãos que acabaram ultrapassando limites, como SNI, DOPS, DOI-CODI, etc.
Em tempos de Presidente admirador da Ditadura e da tortura, amparado por militares, maçons e líderes religiosos do mais alto padrão de charlatanismo – um deles, ministro – todos com discurso absolutamente conservador, preocupa o critério a ser adotado para identificar os que “afrontam o Estado Brasileiro e suas Instituições”.
É pouco provável que Michel Temer, absolutamente enrolado na “Operação Lava-Jato”, decretaria, às portas de sair do Governo, a criação de um grupo que poderia colocar-lhe, e a seus colaboradores, em situação complicada, não estivesse seguro de que o pescoço de todos estaria fora da guilhotina.
O Decreto, que passou despercebido de boa parte da mídia – voltada ao período eleitoral, é tudo o que Jair Bolsonaro desejava, sem a necessidade dele próprio ser apontado como criador de algo que, eventualmente, possa atentar contra a Democracia.
O que pensará a respeito o novo Ministro da Justiça, juiz Sergio Moro ?
Confira, no link abaixo, a íntegra do Decreto nº 9527/18
https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/637601367/decreto-9527-18

Paulinho, quem nao deve nao teme. Voce teme porrque?
Pessoas inocentes e aquelas que não frequentam a carceragem da Polícia não têm o que tender…