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Acusado de torturador, Ministro da Oração de Jair Bolsonaro talvez precise se confessar

No dia em que Jair Bolsonaro elegeu-se presidente da República, seu Ministro da Oração, Magno Malta, que pode vir a assumir, oficialmente, o Ministério da Família – a ser criado – assim que percebeu estar ao vivo na Rede Globo, fez o de hábito: sacou a Bíblia debaixo do braço e realizou a cena necessária para se passar, novamente, por “homem de Deus”.

O senador já havia ajoelhado, também em frente às câmeras, ao lado de Silas Malafaia, no episódio da facada que quase vitimou o capitão.

Parte da população, menos informada, comoveu-se nos dois momentos.

Os mais esclarecidos acharam ridículo e os jornalistas, obrigados, por ofício, a estarem sempre bem informados, encontraram dificuldades para disfarçar a repulsa.

Nada contra o exercício da religião, mas, sim, com os que se dizem “religiosos”, mas possuem hábitos de fazer corar o Capeta.

Malta possui currículo interessante:

  • em 2007, opôs-se ao PL 122/2006, que criminalizava a homofobia;
  • no mesmo ano, foi acusado de integrar a Máfia dos Sanguessugas – políticos que recebiam propina (Malta teria sido agraciado com um Fiat Ducato) para desviar recursos do Ministério da Saúde, destinados à compra de ambulâncias, sendo indiciado pela CPI, mas salvo, no último instante, por parecer de arquivamento do relator, Demóstenes Torres, também acusado de corrupção;
  • em 2009, Magno Malta esteve entre os beneficiados do caso que ficou conhecido como “atos secretos”, em que os políticos deixavam de publicar em Diário Oficial votações impopulares e nomeações de parentes.
  • em 2016, a imprensa revelou que Malta teria recebido R$ 100 mil não declarados da empresa “Moveis Itatiaia”, ocultados por intermédio de Nota Fiscal de consultoria com valor distinto do efetivamente pago

Porém, nada atenta mais contra o discurso religioso do Ministro da Oração de Bolsonaro do que a grave acusação de ter forjado crime de estupro contra um pai de família, acusando-o de cometer o delito contra a própria filha, segundo a vítima, com utilização de tortura e até sentença de morte – abortada posteriormente.

A intenção, segundo o cobrador de ônibus Luis Alves de Lima, era utilizá-lo como holofote para que Malta, então membro da CPI da Pedofilia, surgisse como herói na mídia (o caso teve repercussão internacional), viabilizando suas eleições posteriores.

O relato (que o leitor confere, na íntegra, no vídeo abaixo, em reportagem da TV Século), é estarrecedor.

Luis conta que, no CDP de Cariacica, foi submetido a asfixia com sacola na cabeça, choques elétricos no órgão genital, colocado em tonel de água gelada, teve os dentes arrancados com alicate, entre outras barbaridades.

Tudo para obrigá-lo a confessar o crime que não cometeu.

Confira a denúncia, na íntegra, com o nome de Magno Malta, dos delegados e demais supostos criminosos, acusados de práticas que seriam aplaudidas pelo Coronel Ustra, torturador tratado como ídolo por Bolsonaro.

Talvez esteja aí, além do hábito de utilizar o nome de Deus em vão, o comportamento que faz o senador ser tão respeitado pelo novo Presidente do Brasil.

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