FIFA quer regulamentar comissão de agentes, mas clubes demonstram desinteresse na mudança

Há algum tempo vigora uma norma estipulada pela FIFA de que o comissionamento de agentes em transações de jogadores não deveria superar 3%.
Todos sabem, nunca funcionou.
Há casos, como o do Corinthians, em que o comissionamento chegou a superar 30%, sem contar os repiques, cobrados nas renovações de contratos dos atletas.
Em média, os clubes do futebol mundial pagam entre 5% a 10%, excetuando-se o Brasil, em que o índice circula entre 10% e 20%.
Nas últimas semanas, a FIFA resolveu regulamentar a “feira”, inserindo punição a quem descumprir a determinação de que os valores máximos a serem acertados com os intermediários não poderão ultrapassar 5%.
A nova lei entrará em vigor após a Copa do Mundo da Rússia.
Os agentes, que já se reuniram com a FIFA, por razões evidentes estão revoltados, mas, estranhamente, quem deveria estar festejando a decisão, os clubes, não se manifestaram com a efusividade esperada.
Na verdade, estão preocupados.
O comportamento é facilmente explicável: não há interesse, na maior parte dos cartolas, em aderir ao teto estipulado pela FIFA, que limitaria, por tabela, as propinas que recebem utilizando-se destes agentes como prepostos.
Quanto maior a comissão, melhor a divisão.
Se, de fato, os clubes de futebol quisessem agir com seriedade, nem seria necessária a intervenção da FIFA para que pagassem os tais 3% (2% a menos do que entrará em vigor) indicados anteriormente, mas nunca cumpridos.
No final, a lei, lamentavelmente, será mais uma daquelas que serão burladas por diversos mecanismos de criatividade financeira, até que, dentro das próprias agremiações, surjam interessados com a coragem suficiente de coibir a esbórnia, geradora de riquezas incomprováveis a cartolas que dizem trabalhar sem nada receber.
