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O golpe, desta vez, aconteceu na CBF

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Dirão que não é ilegal, mas ilegitimidade é tão gritante que resta incompreensível o silêncio

O futebol imita a vida, e vice-versa, disse o poeta.

Para derrubar a presidenta da República Dilma Rousseff foi preciso juntar o Judiciário, o Parlamento e a mídia.

Para eleger Rogério Caboclo presidente da CBF bastou juntar 20 assinaturas de cartolas desimportantes e dependentes de federações estaduais e impedir uma candidatura de oposição.

Está na Constituição, ou melhor, no estatuto da entidade, que são necessários, no mínimo, oito jamegões para respaldar candidatos e como são 27 as federações, babau!

No bizarro colégio eleitoral da Casa Bandida do Futebol, 27 eleitores valem 81 votos e 40 clubes somam apenas 60 —dois votos de cada integrante da Série A e um dos da Série B.

Então, o Marco Polo que não viaja, gozando ainda dos seus últimos dias como presidente afastado, por corrupção, pela Fifa, reuniu os cartolas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que vivem de mesadas, em seu apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, porque também não pode pisar na CBF, e destampou seu candidato Caboclo, garantia de que não será aberta a caixa preta da organização meliante.

Apoiado por pelo menos três das quatro principais federações do país —a de São Paulo, que preside, Minas e Rio—, Reinaldo Carneiro Bastos, que queria ser candidato, ficou a ver navios.

Nelas estão abrigados 10 dos 12 grandes clubes do Brasil.

A pergunta que se impõe é óbvia: permanecerão silenciosos, como bons cabritos, os representantes da esmagadora maioria da massa torcedora brasileira?

A resposta, desgraçadamente, é sim.

Quem é Caboclo?

Um burocrata, nada mais que isso, que há anos carrega a mala de Marco Polo —nos últimos tempos só em viagens nacionais.

Cadê Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco, os cinco clubes mais populares do Patropi?
Cada um no seu canto, com o rabinho entre as pernas, temerosos. Mas do quê?

Aí a resposta é um mistério que se arrasta há décadas.

O momento não poderia ser mais adequado para uma atitude firme, vigorosa: ou se democratiza o processo eleitoral, sem a cláusula de barreira draconiana e espúria feita de encomenda para a compra de votos, ou, enfim, os clubes se rebelam e fundam sua liga, mesmo que tardia.

Explique aos alemães (Bundesliga e 7 a 1!), aos ingleses (Premier League), aos espanhóis (La Liga, a Liga das Estrelas), aos franceses (Ligue 1) o que acontece por aqui.

Eles simplesmente não entenderão, apenas continuarão a se abastecer de craques em nosso mercado, incapaz de fazer frente ao poderio deles.

E rirão, gostosamente, da nossa incompetência, covardia, promiscuidade e corrupção.

Só mesmo lembrando da velha anedota sobre a criação do mundo.

Quando Deus anunciou que faria o Brasil sem terremotos e vulcões, com um lindo e extenso litoral, e com os melhores jogadores de futebol do mundo, os europeus, criados em primeiro lugar, reclamaram: “Mas até com os melhores jogadores!!! Por quê?!”

“Porque vou botar lá os piores dirigentes”, Ele respondeu, malicioso.

Dito e feito.

Tem sido assim per saecula saeculorum. Amém!

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