Otários

(trecho da coluna de JUCA KFOURI na FOLHA)
“Eles pensam que nós somos otários”, reagiu Paulo Autuori, o único profissional do futebol brasileiro a se insurgir contra o golpe dado pela CBF ao aumentar para três o peso dos votos das 27 federações estaduais. Autuori é um cara de princípios e não transige, mas, desgraçadamente, está enganado.
“Eles” não pensam, têm certeza.
E “eles” não são apenas os cartolas corruptos, são também os políticos corruptos, os empresários corruptos, os corruptos, enfim.
Porque reagimos poucos e pouco reagimos, quase sempre, individualmente.
Engolimos sem reagir qualquer vira-casaca como o secretário-menor da CBF dizer que dar peso maior aos clubes das séries A e B seria elitismo, quando os 40 representam mais de 95% da torcida brasileira.
É verdade que ele não engana ninguém, mas, também, não causa indignação nem entre os cartolas dos clubes, acovardados, cúmplices e vendidos, às vezes, por um simples convite para “chefiar” delegações de seleções brasileiras.
Daí sermos sim, como torcedores, e como cidadãos, otários.
Autuori é a exceção que confirma a regra. Nem por isso menos elogiável.
Precisamos de mais brasileiros como ele. No futebol, na política e nas empresas
