O Atletiba foi histórico, mas não pode parar por ai

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Atlético/PR e Coritiba fizeram história ao recusarem-se a atender ordens da Federação Paranaense de Futebol, que, pressionada pelos interesses da Rede Globo (que não conseguiu fechar contratos com as equipes) objetivava impedir a transmissão do clássico pela internet, bancada pelos clubes.

“Cortem a transmissão ou não teremos jogo”, disse o constrangido árbitro Paulo Roberto Alves, deixando claro estar seguindo ordens de superiores.

Não tivemos partida, mesmo diante de um estádio com 20 mil pessoas, que puderam, ao menos, presenciar a história, simbolizada no abraço coletivo de jogadores intercalados ao meio do gramado, em gesto de união.

Como de hábito, nas respostas “oficiais”, diante do clamor popular favorável às equipes, a FPF mentiu ao dizer que o jogo só não foi realizado por conta dos jornalistas contratados para a transmissão não estarem credenciados (em vídeo, o árbitro do jogo diz, claramente: “o pessoal não pode transmitir porque não é a detentora do campeonato” ), e a Rede Globo se fez de desentendida, emitindo nota no Fantástico dizendo ser responsável pelos jogos do qual mantém direitos, sem se opor à iniciativas particulares nos outros eventos.

O fatos são esclarecedores: até quase o pontapé inicial não havia sequer menção à paralisação do espetáculo (esperava-se pelo fracasso de audiência), porém, após a constatação de que mais de 100 mil pessoas estavam assistindo durante a execução do hino nacional, bateu o desespero entre os que não acreditavam no sucesso, razão pela qual, avisado, certamente em cima da hora, o árbitro seguiu o que lhe fora passado, nitidamente sem conseguir explicar, detalhadamente, a questão.

Resta agora aos clubes, não apenas os envolvidos no episódio, mas os outros que, excetuando-se Corinthians e Flamengo, em regra, seguem em desvantagem nas negociações televisivas, dar o passo seguinte, libertador não apenas diante da Globo, mas, principalmente, das Federações: assumir o comando da gestão do futebol em seus estados, que não precisa ser condicionado a empresas (Federações) claramente existentes para beneficiar meia dúzia de políticos e cartolas às custas de percentuais indevidos das arrecadações da agremiações.

Com relação às transmissões em si, o NETFLIX  (serviço mantido na internet que já tem mais audiência que as TVs a Cabo americanas e tem tirado o sono das emissoras abertas do Brasil) está ai para comprovar que boas ideias e competência podem render muito dinheiro a quem souber trabalhar seu produto.

Hoje em dia todas os novos televisores fabricados tem tecnologia para transmissão, pela internet, de partidas em resolução máxima (4k), superior à disponibilizada pela Globo, com a vantagem da flexibilidade do telespectador poder estar em qualquer loca do planeta para torcer pela equipe de coração.

Por que os patrocinadores, que pagam fortunas à Globo pelos direitos dos campeonatos (repassados em quantia muito inferior aos clubes), deixariam de investir em iniciativas privadas das agremiações (desde que bem fundamentadas), sabedores de que a audiência estaria garantida (que torcedor deixaria de assistir ao jogo – inclusive entre os que estiverem no estádio ?).

O futuro está à mão, teve o pontapé inicial num jogo que não se iniciou e, se buscado com coragem e competência comercial revolucionará não apenas as fontes de arrecadações do futebol brasileiro, como democratizará a escolha do torcedor sobre a opção que melhor lhe convier para acompanhar seu clube de coração.

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