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Com dívidas e dúvidas, basquete nacional aguarda decisão da Fiba

basquete

Da FOLHA

Por EDGARD ALVES

O basquete brasileiro aguarda, com apreensão, o mais tardar até sábado (28), um novo posicionamento da Fiba (Federação Internacional de Basquete), que impôs punição à CBB (Confederação Brasileira de Basquete), em novembro, por problemas de gestão.

Desde então, times brasileiros (seleções ou clubes) estão proibidos de participar de eventos ligados àquela federação, responsável pelas principais competições internacionais da modalidade, com destaque para Mundiais e Olimpíadas.

Nesse curto espaço de tempo, as equipes masculinas de Mogi das Cruzes, de Bauru e do Flamengo perderam a chance de participar da Liga das Américas, principal torneio interclubes da América Latina, para a qual estavam classificados.

Foi um baque para as três agremiações, que tinham como meta em seus planejamentos a disputa daquela liga, classificatória para o Mundial de clubes. Sem qualquer responsabilidade no episódio da suspensão, investiram e acabaram no prejuízo, impossibilitados de reação.

A escassez de investimentos é barreira para o desenvolvimento nos esportes. Por isso o preço pago por decisões radicais, como a tomada pela Fiba, são desastrosas para clubes e patrocinadores, partes relevantes no negócio denominado basquete.

No caso, trata-se de uma posição de força da Fiba, que prejudica clubes e atletas, por conta de uma disputa com a CBB, cuja motivação não está suficientemente clara.

Os gastos extravagantes, inclusive envolvendo verbas governamentais, e a baixa qualidade da gestão administrativa, que grassam na entidade brasileira, são um problema caseiro. Sim, é muito grave, mas deve ser resolvido por aqui, preferencialmente pela própria entidade.

Quanto aos desacertos –técnicos, institucionais, administrativos e econômicos– entre a CBB e a Fiba, aí sim, cabe punição regulamentar.

Entretanto, com o impasse ainda sendo debatido pelas duas entidades, a mão de ferro contra os clubes pesou demais. Quem arcará com os prejuízos causados a terceiros, sem culpa, caso as partes cheguem a um acordo, hoje improvável, não impossível?

Há ainda a chance de uma trégua, com participação no pacto de outros protagonistas, como Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro.

A CBB, com dívidas estimadas em cerca de R$ 17 milhões, tem a Fiba como uma das suas credoras. Esse é um dos pontos sensíveis da crise. A entidade nacional não encontra saída, pelo menos no momento, para essa questão.

A Fiba pode decidir encerrar ou alongar a suspensão. O pior cenário seria optar pela desfiliação da CBB, hipótese radical que exigiria outras etapas de discussão. Ela não está descartada, levando-se em conta a pouca transparência nesse embate.

A CBB representa o basquete brasileiro na Fiba, mas delegou suas principais disputas nacionais à LNB (Liga Nacional de Basquete). Aí está outro nó que carece de debate.

A situação caótica do basquete brasileiro, no entanto, não pode ser motivo de risco ou adiamento da sucessão do atual presidente da CBB, Carlos Nunes, comprovadamente incapaz de gerenciar a confusão em que meteu a entidade, menos ainda de resolvê-la.

O mandato dele termina em março, mês da eleição que vai apontar o substituto. Duas chapas estão inscritas oficialmente: uma liderada por Amarildo Ramos da Rosa, presidente da Federação Paranaense, e outra pelo paraense Guy Peixoto, ex-jogador da seleção brasileira, radicado no Recife (PE).

A eleição pode não resolver o problema, mas é uma oportunidade na busca de novos rumos de gestão e de ideias, que é o que parece em falta nessa desordem na qual o basquete está atolado, rendido, afundando a cada dia.

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