Guga e a Receita Federal

Figura carismática, ídolo mundial (deste jornalista, também), o ex-tenista Gustavo Kuerten frequentou as principais manchetes esportivas da semana com seu depoimento emocionado no CARF pedindo absolvição de desvio de conduta fiscal.
A multa e os impostos devidos podem atingir a soma de R$ 5 milhões.
Assim como a grande maioria dos atletas profissionais brasileiros, não se sabe por iniciativa própria ou orientado por terceiro, Guga, entre os anos de 99 e 02, em vez de pagar Imposto de Renda de suas premiações como Pessoa Física, utilizou-se, segundo a Receita Federal, de empresa aberta com a finalizade de reduzir a quantia tributária a ser honrada.
Em tese, uma fraude continuada.
Essa é a questão, puramente técnica, a ser observada.
Diferentemente doutros esportistas, malandros por natureza, Guga é um sujeito decente, multi-campeão, mas, ainda assim, passível de correção em cometendo desvio de conduta, como de fato parece ter acontecido.
A lei deve ser aplicada para todos, observando-se, por justiça, dosimetrias distintas.
Sonegar imposto de renda é crime bem mais grave do que costuma ser tratado pela população brasileira.
Guga chorou porque perder R$ 5 milhões é de fato para assustar, mas, ao utilizar-se do subterfúgio especificado em denúncia da Receita, se não sabia dos risco, delegou a quem tinha ciência, tornando-se, em consequencia, culpado, dolosamente ou não, sujeito às devidas consequências.
