O Dez de Ouros completa 70 anos

Por HUGO SERELO
O maior Cruzeiro da história era um time de moleques. Dirceu Lopes, Tostão, Raul Plassman, Piazza e Zé Carlos tinham entre 18 e 22 anos quando foram campeões brasileiros em 1966.
Habilidade
A habilidade de Dirceu Lopes era desconcertante. Destro, ele era habilidoso pra driblar de várias formas. Sua assinatura era o corte. Fingia que iria chutar e cortava pro lado. Quando o zagueiro se recompunha, Dirceu cortava pro outro lado. E de novo. E de novo. E de novo.
No 6×2 contra o Santos de Pelé, em 66, ele cortou a zaga inteira do Santos antes de marcar um golaço. O goleiro Gylmar ficou agarrado ao poste da trave antes de Dirceu fuzilar pra rede.
Com 1,62 de altura, era impressionante testemunhar aquela flecha negra atravessar as enormes zagas adversárias.
Tostão e Dirceu Lopes
No caso de Dirceu e Tostão, houve um entrosamento imediato já no primeiro coletivo com Tostão. Os dois meninos jogavam mais ou menos na mesma posição. Ficou decidido que o Príncipe jogaria com mais liberdade. Não guardaria posição e correria o campo inteiro sem guardar posição. Dirceu tinha fôlego pra isso.
Sua troca de passes com Tostão era intensa. Natal e Hílton de Oliveira eram pontas habilidosos. Evaldo cansou de fazer gols sendo abastecido por tantos craques.
Seleção
Com João Saldanha, Dirceu Lopes era muito cogitado pra jogar a Copa de 70. Zagallo acabou assumindo na reta final e cortou Dirceu. A timidez e a falta de lobby na imprensa atrapalharam o Príncipe. Por outro lado, é verdade também que aquela foi a maior safra de camisa 10. O lendário Ademir da Guia do Palmeiras também ficou de fora.
Segunda Academia
Na década de 70, o Cruzeiro formou outra safra de craques. Dessa vez, Raul, Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes já eram homens experientes e ajudaram a formar os moleques que estavam aparecendo.
Palhinha, Joãozinho, Eduardo Amorim Roberto Batata eram alguns desses meninos. Dirceu Lopes era o grande camisa 10 que comandava os talentos. Foi a chamada Segunda Academia.
Essa geração ficou marcada por prosseguir a hegemonia de títulos estaduais. Os canecos 72-73-74-75 e 77 estão na sede do clube graças aos heróis que Dirceu Lopes conduziu.
Os vices dos Brasileiros de 74 e 75 foram amargos, mas indicam o poder dessa geração fantástica.
Libertadores 76
Dirceu não pôde participar da Libertadores 76 porque estava contundido. Em seu lugar, jogou Jairzinho Furacão e o Cruzeiro conquistou a América.
Aposentadoria e Paixão Pelo Clube
Em 1978 a idade pesou. Dirceu não conseguia lutar contra as contusões. Ainda tentou vestir a camisa de Fluminense e Uberlândia, mas sem muito sucesso.
Dirceu voltou para sua terra, Pedro Leopoldo. Lá, tornou-se empresário e até secretário de esportes do município.
A paixão pelo Cruzeiro é eterna e mútua. Dirceu é estrela e não tem sossego pra andar em nenhum lugar, pois é sempre reverenciado pelo povão.
É figurinha fácil no Mineirão, onde sempre está presente pra acompanhar o clube ou receber as inúmeras homenagens que sempre serão poucas, afinal, fez 224 gols em 594 jogos.
Sem medo, pode-se afirmar que Dirceu Lopes está ao lado de Tostão e Niginho na trinca de maiores jogadores da História do Cruzeiro.
