Desempenho de Ricardo Lewandowski no julgamento de Dilma Rousseff abre espaço para reflexões

No impeachment de Dilma, Lewandowski atua como mordomo conferindo a despensa

Dilma Rousseff e Ricardo Lewandowski

O Ministro do STF, Ricardo Lewandowski, está conduzindo, talvez com respeito e competência nunca presenciados na história deste país, uma sessão de julgamento no Senado, local que, em regra, impera a baderna e a falta de compostura.

Muitos são os relatos de agressões verbais, físicas e descumprimento de ordens em reuniões habituais.

Lewandowski, desde então, proibiu manifestações favoráveis ou contrárias a depoentes, garantiu a imparcialidade nos procedimentos, fez uso de enérgicas intervenções (nas poucas vezes em que foram necessárias), e, principalmente, esteve sempre ao lado da Justiça, por vezes acolhendo pedidos da acusação, outras, dos defensores.

Este desempenho, notável, conflita com Lewandowski atuante no STF, quase sempre envolvido em discussões e decisões polêmicas, e que, por vezes, é acusado de tomar partido à favor de grupos políticos, em desfavor, por consequência, da isenção que se espera de um magistrado.

Em paralelo com o que ocorre com o futebol, quando árbitros medianos do Brasil transformam-se em impecáveis quando atuam em torneios internacionais (principalmente a Copa do Mundo), fica a impressão que o presidente do STF, de fato, quando quer, exerce sua profissão de maneira adequada, tanto no comportamento ético, quanto na aplicação de conhecimentos jurídicos, o que nem sempre ocorre fora dos “grandes eventos”, como o julgamento do impeachment, alguns encobertos por névoas que facilitam os equívocos, frequentes em sua carreira.

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