Fernando Capez e as possibilidades de propinas

Dois depoimentos em investigação da “Máfia das Merendas”, em São Paulo, acusam o promotor Fernando Capez, enquanto parlamentar, de exigir e receber alta soma em dinheiro (como propina) para facilitar o funcionamento da organização criminosa.
Se Capez seria capaz, somente o desenrolar do inquérito poderá comprovar.
Há, porém, coincidências, não apenas neste caso, mas também noutro episódio, que relataremos a seguir, sugerindo a possibilidade, pelas evidências, de que não seria assim tão surpreendente a participação do tucano em práticas supostamente ilícitas.
Oito anos atrás, este jornalista, na sede da WTORRE, conversava (na verdade, era vítima de tentativa de intimidação) com o proprietário da construtora, quando a sala de reuniões, ao lado da presidência, era ‘invadida”, sem batidas na porta, nem cerimônias.
Ingressaram no local, entre cumprimentos “carinhosos”, demonstrando proximidade, além de absoluta informalidade, o promotor Fernando Capez e o jornalista Edgard Soares.
À época, a WTORRE tentava vender ao Corinthians a ideia de construção do estádio, tendo Soares como intermediário, e Capez, em tese, como possível “pedra no sapato”.
Ambos, em sequência, tornaram-se apoiadores fervorosos do projeto.
Observando o quadro, antigo, com as informações dos dias atuais, chegamos a seguinte coincidência: na sede da WTORRE, citada como pagadora de propina pela operação Lava-Jato, estavam, em reunião “descompromissada”, e, principalmente, fora da agenda do MP-SP, um promotor acusado, recentemente, de receber propina da Máfia das Merendas e um jornalista, dono de site, dezenas de vezes denunciado pela prática de extorsão.
Ou seja, em ambos os casos, das merendas e da construção do estádio, existia, se corruptos fossem, grandes possibilidades de propinas.
Se capaz seria Capez ?
Talvez.
Certo é que a referida visita à WTORRE, testemunhada por este jornalista, além de não negada, jamais foi justificada.
