Promiscuidade com “organizadas”: São Paulo e Santos admitem, Palmeiras repudia, enquanto Corinthians se cala
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Após Leco, presidente do São Paulo, revelar ao UOL que o clube doa, no mínimo, 1,5 mil ingressos por partida, entre outros pagamentos (R$ 150 mil para o Carnaval, por exemplo), às facções “organizadas”, formadas, quase sempre, por criminosos que se dizem torcedores tricolores, o MP-SP decidiu investigar o assunto.
Diz o promotor Paulo Castilho, à ótima jornalista Camila Mattoso, que o dirigente tricolor atestou o que todos sabiam, mas era de difícil comprovação.
Na esteira da declaração, Modesto Roma Junior, do Santos, em encontro com o representante do MP, admitiu, também, a mesma prática.
Paulo Nobre, do Palmeiras, manteve a contrariedade ao procedimento, reiterando que nada paga aos “organizados”.
Por fim, o Corinthians, que tem até entre seus dirigentes membros das referidas facções (na última semana chegou ao cúmulo de bancar-lhes estadia, passagem e ingressos para os EUA), preferiu não se pronunciar a respeito.
O grande problema é que nenhum deles tem buscado o caminho das mudanças profundas, aquelas que privilegiam os verdadeiros torcedores, deixando de lado “facilidades” indevidas a quem, historicamente, mais prejudica (muito mais) do que ajuda os clubes de futebol.
Se Leco e Roma Junior (assumidamente) e Roberto “da Nova” Andrade (enrustidamente), continuam a adotar práticas de encabrestamento da bandidagem “organizada”, seja por medo de enfrentá-los ou pela necessidade de utilizá-los politicamente, Nobre, apesar de rompido com essa gente, não se esforça para impedir que os diversos bandos continuem a ter lugares reservados na Arena Palestra.
Enquanto isso, o MP-SP, que ensaia enquadrar facilitados e facilitadores, tem por hábito encontrar soluções conciliadoras entre as partes (é favorável, por exemplo, à continudade da existência das “organizadas”, sob orbrigação de registro de membros), que não atendem o desejo da sociedade, mas apenas de pequeno grupo de pessoas que, comprovadamente, não cumprem acordos nem se preocupam com as punições.
Não há solução fora da comercialização (apenas pela internet) de ingressos numerados para qualquer setor do estádio, extinguindo-se a divisão de torcedores, prática que, por si, desestimulará delinquentes (que costumam ser “valentes” quando em formação de grupos) a frequentarem as praças esportivas.
Qualquer iniciativa fora disso, com a continuidade (mesmo com as sugestões do MP-SP) das inadequadas reservas de setores e ingressos em estádios (luxo que o verdadeiro torcedor não tem), só é justificável quando os signatários dos acordos temem, de alguma maneira, perder o controle sobre aqueles que dominam cérebros de jovens alienados para utilização, posterior, em períodos eleitorais (sejam de clubes ou até da política tradicional).
