Escândalo Ralf: “nunca participei de compra e venda de jogador”, diz ex-diretor financeiro ao ser questionado do prejuízo

O balanço do Corinthians, divulgado em 2015, relaciona o custo de contratações (sem detalhar) dos jogadores que compõem o elenco profissional alvinegro.
Em 2010, quando ninguém sequer sabia de quem se tratava, o clube pagou R$ 8,8 milhões (com dólar nos parâmetros atuais o valor quase dobraria) para contratar o meio-campista Ralf.
Agora, em 2016, após passagem pela Seleção Brasileira e recém campeão nacional, estranhamente, facilitou a saída do atleta, estabelecendo, em contrato, irrisória multa de R$ 4 milhões.
Ambos os negócios, não por acaso, foram intermediados pelo empresário Fernando Garcia, sócio de Andres Sanches e irmão do dono da Kalunga, Paulo Garcia.

Em rede social, o ex-diretor financeiro do Corinthians, Raul Corrêa da Silva, ao ser questionado sobre o “negócio Ralf”, respondeu:
“(…) nunca participei de compra e venda de jogador. Seria legal perguntar ao pessoal do futebol.”
Porém, talvez em lapso de memória, esqueceu de revelar que o diretor adjunto de futebol, Eduardo Ferreira, o “gaguinho”, é seu parente, e, com a proximidade familiar e política no Parque São Jorge, é pouco provável que o assunto não tenha sido comentado entre ambos.
Ainda em “desabafo”, Corrêa detonou a gestão alvinegra:
“(…) em 2013 na empolgação do mundial, paulista, recopa, etc. saímos renovando contratos que não deveriam haver sido renovados e encarecemos o teto salarial do clube.”
Não é a primeira vez que o presidente Roberto “da Nova” Andrade (à época, diretor de futebol) é detonado, sem esboçar reação, por quem trabalhou a seu lado.
Em 2014, antes das eleições para presidente do clube, o próprio Fernando Garcia, a quem o dirigente, agora, obedecendo a ordens de Andres Sanches, é obrigado a ajudar, passou-lhe descompostura pública, num dos camarotes do “Fielzão”, para depois, em entrevista a ESPN, complementar:
“O Roberto, esse cidadão não tem honra para ser presidente do Corinthians. Um cidadão desse, vendedor de carro, se atreve a administrar um clube da grandeza do Corinthians, meu time de coração. Um cidadão que não sabe nem vender um carro importado, e quer colocar a bunda dele numa cadeira de um cargo de presidente do Corinthians.”
Fica cada vez mais evidente que a sequencia de contratos fechados pelo clube, ou renovados, com diminuição da multa rescisória, não se trata apenas de simples ato de incompetência administrativa, mas sim, de pura malandragem.
