Ricardo Oliveira e a base do Corinthians
Por FREDY MARCELO ESPOSITO*
“Nesta época ganhamos tudo que disputamos, torneios internacionais, nacionais, subimos mais de 25 jogadores, que jogavam como titular da equipe principal, fomos considerados a melhor categoria de base do país. Os jogadores eram 100% do Corinthians !”
Surgiu na imprensa nestes dias que o jogador Ricardo Oliveira, do Santos, foi dispensado do Corinthians em 1999, isso não é verdade.
Este jogador fez avaliação (peneira) no clube no final de 1997, foi aprovado no primeiro treino, assim foi encaminhado para a administração para pegar a sua ficha de federado, e se tornar atleta do Sport Club Corinthians Paulista.
Passou, depois, pelo médico Dr. Mauro Mengar, pois tinha umas verrugas muito grandes próximas da orelha, e o doutor havia marcado até o dia para tirá-las. Para minha surpresa Ricardo Oliveira não apareceu mais.
Em agosto de 1998, encontramos o Ricardo no União Mogi, quando procurei os responsáveis pela equipe e relatei que esse jogador havia sido aprovado no Corinthians, sendo levado lá de dentro. Depois de muita conversa conseguimos ter o atleta sem custo para o clube.
Ricardo Oliveira ficou na equipe de juniores no final de 1998, trabalhando com prof. Adailton Ladeira e depois com o prof. Edson Machado, para a Copa SP de 1999, o treinador era Roberto Brida, este tinha outras preferências para a posição, a equipe era muito forte, pois ele concorria com Ewerthon, Gil, e Fernando Baiano, jogadores que estavam há muito mais tempo.
Em razão disto, começou a ser utilizado na equipe de aspirantes do Corinthians,que tinha Oswaldo de Oliveira como treinador, que utilizou o jogador, como esperávamos, dando um ótimo resultado.
Conversávamos, depois, sobre o aproveitamento, e o treinador Roberto Brida utilizava muito pouco o atleta.
Ricardo começou a faltar no treino, e um dia apareceu pedindo a liberação, fui contra, até porque veio acompanhado de um agente (Hamilton Bernardi).
O jogador disse:
“(…) você não tem o direito de acabar com a minha vida assim, aqui eu não jogo mais”
Ainda assim, tentei emprestá-lo para algumas equipes, e ele não quis ir.
Encaminhei o caso à vice-presidência e a Diretoria, que disseram que se ele não queria mais jogar no Corinthians, para não o prendermos.
Não muito contente em perder o atleta, falei, mais uma vez, ao Ricardo, que não ia dar a liberação, pois era jogador do clube. Ele respondeu:
Ele respondeu:
“(…) sendo assim, trabalharei na comunidade onde moro (av. Zachi Narchi, Zona Norte), minha mãe precisa de mim”.
Insisti, falei que não queria liberá-lo, pois acreditava no futebol dele , mesmo assim , Ricardo disse que não ia mais treinar.
Acabei sendo obrigado a ceder a liberação, que foi assinada pelo treinador, preparador físico, diretor da categoria, diretor geral, gerente, vice presidente e presidente.
Esta é a verdadeira versão.
Nesta época ganhamos tudo que disputamos, torneios internacionais, nacionais, subimos mais de 25 jogadores, que jogavam como titular da equipe principal, fomos considerados a melhor categoria de base do país.
Os jogadores eram 100% do Corinthians !
Começamos o projeto de escolinhas do clube, trabalhando de forma mais constante o CT de Itaquera, conseguindo grandes resultados.
Comprávamos alguns jogadores, para enriquecer o grupo, fazendo o chamado “efeito osmose”, porque começamos um trabalho do zero com a saída da parceira Euro-Export no início de 1997.
Obrigado por me dar a oportunidade de esclarecer o caso e estou à disposição para o esclarecimento de qualquer outro assunto envolvido à essa época.
* FREDY MARCELO AURICCHIO ESPOSITO, Gerente de futebol amador do Sport Club Corinthians Paulista de 1996 a 2000.

