Um estádio, um jogador e um presidente da república… uma baita história

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Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO

Rio de Janeiro, 21 de abril de 1927.

Inauguração do estádio de São Januário.

A construção de um estádio próprio era a última barreira que ainda impedia o Clube de Regatas Vasco da Gama de participar da principal liga que comandava o futebol carioca, a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos).

Anteriormente a equipe cruzmaltina se recusara a excluir 12 jogadores (negros) de seu plantel, por ordem da liga, sob o pretexto de terem “profissões duvidosas”.

O Vasco foi forte e em apenas 10 meses, com recursos de seus torcedores, construiu o maior estádio do continente americano.

Um motivo de orgulho.

O local escolhido foi emblemático.

O clube adquiriu o terreno da antiga Chacrinha da Marquesa, um presente que a Marquesa de Santos houvera ganhado de Dom Pedro I, e que se localizava na rua Abílio, na Colina de São Januário.

A rua São Januário terminava justamente naquela área que era de propriedade de Carlos Kuenerz, e que acertou a negociação em janeiro de 1926.

O registro de propriedade daquele terreno foi firmado em junho daquele ano.

Nota se que nada foi fácil e mais ainda, que os cruzmaltinos foram rápidos em seu proposito.

Durante sua construção, por ordem do próprio presidente de república, Washington Luís, teve proibido o pedido de importação de concreto oriundo da Europa, similar ao já utilizado no Jockey Club da cidade, construído pela mesma empresa responsável pelo projeto do estádio.

Tudo conspirava contra.

Ainda assim, na inauguração entre a equipe cruzmaltina e o alvinegro praiano, o Santos, lá estava Washington Luís para receber os louros da glória.

Naquele dia, os paulistas levaram a melhor por 5 a 3.

Uma linda festa.

Em seu primeiro ano de mandato, Washington Luís, que não tinha qualquer interesse ou gosto pelo futebol, identificou aquilo como algo que poderia ser muito importante para sua popularidade.

Por conta disso, tratou de levar todo o seu ministério para a final do campeonato brasileiro de seleções que aconteceria no estádio do Vasco em 13 de novembro daquele ano.

Quase 40 mil pessoas lotaram o estádio de São Januário para assistir novo encontro entre cariocas e paulistas.

A seleção do Distrito Federal, os cariocas, chegou a final após passar por cima pelos gaúchos com uma goleada por 6 a 2.

Já os paulistas, naquele mesmo estádio, tinham despachado, de forma convincente, os baianos, por 7 a 1.

Não havia favoritos.

A partida estava dura e se encaminhava para o seu final, empatada por 1 a 1, com gols de Osvaldo, para os cariocas, e Feitiço, para os paulistas.

O que mais interessava para Washington Luís era o fato do jogo, uma grande chatice para ele, estar chegando ao final.

Mas as coisas não acabariam tão facilmente assim para ele.

Aos 33 minutos do segundo tempo, o arbitro Ary Amarante marcou um pênalti a favor dos cariocas.

Era o início de uma confusão que logo ficou generalizada.

Os paulistas revoltados com a marcação não queriam deixar que a cobrança fosse feita.

Impaciente, Washington Luís, ansioso por ir embora, ordenou a um oficial de seu gabinete que resolvesse a confusão.

Chegando ao campo, o oficial se dirigiu aos jogadores paulistas Amílcar e Feitiço e os informou que o Presidente da República queria que o jogo reiniciasse imediatamente.

Mal acabou de falar, precisou ouvir o recado de Feitiço:… “pois fale para o Doutor Washington Luís, que lá em cima, na tribuna de honra, manda ele, mas aqui embaixo, no campo, mandamos nós, os jogadores.”

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Foi o sinal para que os paulistas resolvessem abandonar o campo.

Coube a Osvaldo efetuar a cobrança do pênalti para o gol vazio.

O gol do título dos cariocas.

Restou a Washington Luís bufar de “raiva” e decidir que jamais voltaria a colocar os pés em um estádio de futebol.

Alguns jogadores paulistas foram suspensos por conta do episódio.

Feitiço, por exemplo, só foi perdoado no ano seguinte, pelo interesse da CBD (atual CBF), em contar com o atacante no amistoso da seleção brasileira frente a equipe escocesa do Motherwell.

A vitória foi brasileira, por 5 a 0, com 4 gols dele.

Feitiço estava de volta…

O atacante, no entanto, não participou da Copa do Mundo de 1930, no Uruguai, por conta da recusa dos atletas paulistas de fazerem parte daquele grupo formado por atletas cariocas.

Já Washington Luís, ao apoiar Julio Prestes, que viria a vencer as eleições presidenciais em 1930, acabou preso, o que foi o gatilho para a Revolução liderada por Getúlio Vargas, que fora seu ministro da fazenda.

O estádio de São Januário, por outro lado, continuou como o maior da Brasil até abril de 1940, exatamente na semana quando completava 13 anos, com a inauguração do estádio do Pacaembu, em São Paulo.

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14 Comentários

  1. Apaz! Você pelo jeito é vascaíno e “palestrino”, mas a verdade é que aquele Santos era o MELHOR TIME BRASILEIRO DA ÉPOCA. O Vasco era da capital federal e isto naquele tempo fazia enorme diferença, se é que você me entende. Havia mutreta sim, como sempre houve, e principalmente para favorecer os times da capital federal, como foi o caso do jogo citado no texto que estamos comentando. Isto fica ainda mais evidente com o seu comentário de que “o Santos começou a ser conhecido a partir daí, graças ao Vasco” . Ah, para com isto, Apaz!!! Estude um pouquinho a história do futebol brasileiro e do Santos Futebol Clube!!! O Santos foi fundado em 1912 e em 1914, quando começou a seleção brasileira, já tinham jogadores seus no time. Em 1919, no primeiro título da seleção, haviam TRÊS jogadores do Santos, sendo que um deles chamado Arnaldo Silveira foi O CAPITÃO DESTE PRIMEIRO TÍTULO!!! NÃO DEVEMOS ABSOLUTAMENTE NADA AO VASCO!!! Tanto é que o Vasco inconformado com a derrota na inauguração do seu estádio, pediu revanche e PERDEU DE NOVO, TOMANDO DESTA FEITA POR 4X1!!! Quanto ao tal jornalista, você afirmar que ele “sem dúvidas, era Santista”, é o cúmulo isto!!!. Se há uma coisa rara na imprensa de São Paulo, Capital, é existirem jornalistas Santistas, imagine então naquela época!!!

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