Papa Francisco e suas inconsequentes limitações
“Temos a obrigação de falar abertamente [sobre religião], temos esta liberdade. Mas sem ofender. Não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros, não se pode tirar sarro dela”
A mediocridade das declarações do Papa Francisco sobre o deplorável assassinato dos jornalistas da revista “Charlie Hebdo”, vítimas de imbecilizados que se dizem religiosos, não causa surpresa a quem analisa seu pontificado com serenidade.
Se é inegável a boa vontade e até bom caráter do religioso, salta aos olhos sua incapacidade intelectual.
Ao querer mensurar o limite da livre manifestação, tratando quem critica as religiões – ou a fé – como “ofensores”, Francisco age com a limitação de pensamento daqueles que colocavam na fogueira os que se insurgiam contra o catolicismo no período medieval.
Aliás, o que é ofensa ?
A subjetividade da palavra, e de sua aplicação, quase sempre vem acompanhada do nível de aculturamento de quem analisa determinada situação.
Por exemplo: Há católicos que se ofendem quando o Papa Francisco, em desconformidade com a doutrina do qual é o grande líder, prega aberturas de procedimentos importantes para a humanidade, enquanto outros, adeptos da mesma religião, o adoram exatamente por essas atitudes.
Como devem se portar os “ofendidos” ?
É evidente que os jornalistas da “Charlie Hebdo”, assim como doutras publicações de opiniões fortes, merecem elogios e críticas e nem sempre acertam a mão em suas charges, mas é fundamental que tenham liberdade para fazê-lo, sobre todos os assuntos, inclusive as religiões.
A Fé não pode ser imune à crítica, nem ao “sarro”, como disse Francisco, mas garantida como direito daqueles que acreditam no abstrato, nos santos, em Deus e até no Diabo.
Liberdade de expressão, por sinal, que ajudou a modificar a própria religião católica, que saiu da carnificina e controle do Estado, de tempos nem tão distantes assim, para um melhor equilíbrio de comunicação e exposição de sua história e crença.
São essas limitações, que levam o Papa Francisco a dizer tantas bobagens, por vezes inconsequentes, entre as quais as referidas sobre o episódio da revista francesa, que, apesar de também estarem inseridas no contexto da livre manifestação, tornam seu pontificado, apesar de popular, menos importante para a história do catolicismo.
EM TEMPO: este jornalista foi batizado e crismado na religião católica, mas considera-se livre para criticá-la, ou a qualquer outra doutrina que considerar equivocada, sem a pretensão de possuir a propriedade da verdade absoluta.

