A separação de torcidas é um grande erro
Por ROQUE CITADINI
Neste final de semana, tivemos mais um lamentável “choque ” de torcidas organizadas . Um morto, um gravemente ferido e outros tantas vítimas com escoriações generalizadas. A “guerra” foi entre torcidas do Palestra e do Santos e seguem o padrão dos problemas do futebol que vive com as torcidas organizadas.
É um quadro dramático este que mostra contínuas mortes em brigas de torcidas. Pior ainda é saber que pouca coisa (ou nada) mudará mesmo tendo um número de mortes cada vez maior.
Este grave problema -verdadeira guerra de torcidas organizadas, com emboscadas e mais emboscadas- tem sido tratado pelas autoridade de forma totalmente equivocada.
A Polícia Militar, o Ministério Público, a Polícia Civil e as autoridades governamentais e esportivas erram continuamente quando tratam deste problema. O mais grave é que nos últimos anos essas autoridade tem agravado cada vez mais este mundo de conflitos e mortes.
Ao contrário do que fizeram outros países, nossas autoridades não enfrentam a questão central do problemas.
Sempre haverá um ou outro torcedor disposto a partir para a violência quando estiver com a cabeça quente. Mas não é esse o caso. Nossas autoridades “organizam” a violência e procuram com medidas paliativas reprimir quando as mortes aumentam.
O problema básico é a divisão de torcidas. Com a separação delas nos estádios criou-se as “tribos” que cada vez mais vão ao jogo para o confronto.
Nossas autoridades não só fizeram a separação (e formação dos grupos) como vivem “apoiando” as tribos. Agora mesmo, sabemos que vivem forçando a “reserva ” de ingressas para determinadas torcidas numa clara inversão de valores que cria um grupo de “protegidos” na “compra” de ingresso.
A separação (e proteção) das torcidas organizadas é um erro grave.
É lógico que um torcedor procure comprar ingresso perto de seu amigos. Isso sempre existiu. Diferente é reservar uma área (e seus ingresso) para certo tipo de torcedor.
Se acabarmos com esta separação forçada daremos (como outro países) um grande passo para a superação do problema. Se mantivermos as “tribos” separadas (e protegidas), a violência sempre aumentará.
Este passo fundamental para superarmos o problema não será dado pela Polícia, Ministério Público ou autoridades governamentais. Só será possível se vier dos clubes e dos dirigentes.
Nos outros países -quando a situação ficou grave- as autoridades adotaram medidas na linha do aqui previsto. E o público voltou aos estádio e passou a conviver com adversários. Isso não é possível com as torcidas organizadas. A hora que não tiverem área e ingressos reservados este quadro mudará.
Quem vai há muito tempo aos estádios sabe que isso era uma realidade comum. No passado, corinthianos, palestrinos, santistas e tricolores iam no mesmo ônibus e sentavam lado a lado, cada um vibrando com seu time. Foram essas tribos protegidas pela Polícia que fizeram a separação e trouxeram a guerra que leva a tantas mortes.
Com o ocorrido neste domingo, a Polícia, o Ministério Público e as autoridades dirão que tomaram medidas duras contra os violentos. Não farão nada. Uma ou outra prisão e uma condenação aqui ou acolá. Nada que altere o quadro de violência e selvageria que os estádios vivem.
Sem uma mudança que comece com o final da “separação” e “proteção” dos grupos organizados (e violentos) nada mudará. E o futebol e o país só perde mais e mais.

