No ultimo domingo, a Formula 1 começou a resgatar a Gestão do Conhecimento
Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO
Alguém assistiu ao Grande Prêmio de Formula 1 de Cingapura no ultimo domingo?
Vitória do inglês Lewis Hamilton, que passou a liderar o campeonato mundial.
Engana-se no entanto quem acha que a corrida foi igual as demais.
A prova foi emocionante, principalmente, por conta de uma mudança de regulamento que influenciou muito seu resultado.
A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) resolveu proibir a troca de mensagens de radio entre a equipe do boxe e seu respectivo piloto.
Dentre elas, informações sobre as melhores pontos de ultrapassagem, técnicas em determinados momentos nas corridas e tantas outras.
Até mesmo sobre as situações dos rivais e definições sobre as paradas para troca de pneus.
Sobrou até para as tradicionais placas postadas junto ao muro. Todas elas foram para o armário.
Para muitos, o piloto voltou a ser piloto.
E passou a ser o grande, o maior, responsável por sua vitória.
Como era no passado, aliás, como sempre deveria ter sido.
Até mesmo o então líder do campeonato, o alemão, Nico Rosberg sofreu por conta desta mudança.
Prejudicado por um problema em seu volante ainda na volta de apresentação, precisou sair do boxe.
Com o novo volante, mais um problema.
As informações sobre as marchas estavam equivocadas.
Embora o carro estivesse em plenas condições, a falta de informações e no caso de Nico, informações equívocadas da marcha utilizada, foi o suficiente para que cada volta dele fosse cerca de 5 segundo mais lenta que do seu companheiro de equipe, Hamilton.
Uma imensidão!!!
Poucas voltas depois, ele abandonou a corrida, e por conta disso, também a liderança da competição.
Pois é, o que a FIA fez?
A FIA definiu que o compartilhamento de dados e informações, a sua devida contextualização, o conhecimento, em busca de melhoria de performance, fosse proibida?
Não, certamente não.
Apenas sinalizou, mesmo que tenha sido por decreto, que equipes e pilotos terão que conversar, trocar ideias, informações, boas práticas, lições aprendidas, o que quer que seja, através do contato pessoal.
Isso mesmo, a FIA firmou como regra os conceitos mais básicos e fundamentais que permeiam a Gestão do Conhecimento.
O caminho, supostamente, mais fácil, da mera troca por conta dos inúmeros artificios tecnológicos está proibido.
Para o esporte, talvez seja apenas uma sacada para torná-lo mais competitivo.
Afinal, para o melhor piloto, isto não fez diferença nesta corrida.
Talvez fará na próxima.
Talvez não.
Cá entre nós, certamente fará.
Vencerão o piloto e a equipe que melhor fizeram acontecer o processo de gestão do conhecimento, isso, obviamente, associada a sua performance.
O verdadeiro processo onde as pessoas estão no centro.
E não aquele onde a tecnologia é considerada o principal componente.
Mais um grande exemplo sobre a relevância deste tema em nosso dia a dia.
Desde domingo em uma corrida de automoveis com abrangência mundial.
E certamente, em cada pequeno ato que tomamos em nossa vida pessoal e profissional.
Afinal, Gerir conhecimento é o ar que respiramos.


