A história da cadelinha Kate
Por JOSE RENATO SATIRO SANTIAGO
Quando fazemos uma boa ação estamos fazendo um bem ao próximo.
É natural que nos orgulhemos disso.
Muitas vezes não temos, sequer, a dimensão dela.
Ainda assim a sociedade é implacável.
As pessoas identificam valor nas boas ações.
Alguma coisa que diferencia uma pessoa da outra.
Nem sempre somos capazes disso.
Por isso, o prêmio da boa ação, são os bons olhos.
Voluntárias, ou não, as boas ações fortalecem o que há de melhor em cada um de nós.
Mostra um mundo melhor, onde o bem sempre se sobressai.
Nos dias de hoje, quase uma exceção, o que faz com que o valor de uma boa ação aumente.
Regra simples da oferta x demanda.
Em um mundo de exceção, o pouco de bem que seja feito, faz uma grande diferença.
Fazer diferença, no entanto, deveria ser muito pouco.
Fazer com que a boa ação seja uma regra é mais valioso.
Devemos contaminar o mundo com boas práticas.
E não sermos elogiados pela excepcionalidade.
Mesmo porque quem recebe o melhor por uma boa ação feita?
Alguém que se foi beneficiado por ela (a boa ação)?
Ou quem a fez?
Pois bem…
Hoje faz um ano que fui presenteado por Deus.
Na manhã de uma sexta-feira, andava de carro em uma estrada que une os municípios de Caieiras e Mairiporã em São Paulo.
Presenciei o abandono de um cão.
O carro saiu em disparada e o cão correu, em vão, para acompanha-lo.
Uma cena chocante.
Fiquei sem ação e continuei minha viagem.
Pensei: “quando voltar, se o cão estiver aí, o pegarei”.
Pura promessa fácil de não ser cumprida.
Talvez servisse apenas para “aliviar a minha barra” por minha omissão.
Por mais que não tivesse condições de fazer coisa alguma naquele momento.
Esqueci.
Mais a tarde, voltando para casa, avisto aquele cachorro.
Passo reto e sigo em direção de casa.
Vem a minha cabeça, o que tinha pensado pela manhã, que pegaria o cão.
Retornei.
Lá estava o cão.
Em situação lamentável.
Enrolei o no meio de jornais velhos e o coloquei no porta malas do carro,
Fui em direção a um veterinário.
A sugestão foi deixa-la, a cadela, se recuperar um pouco, para dar banho na semana seguinte.
Assim foi feito, ela estava muito magra.
Tinha claras dificuldades para se alimentar.
Após poucos minutos comendo, ela parava.
Passou a semana, enfim, Kate, a cadela, foi tomar banho.
Banho com muitos gritos, quase um desespero, sobretudo, quando era levantada pelo abdômen.
De banho tomado, novo exame da veterinária.
Mais gritos.
Muita dor.
E um diagnóstico: rompimento de diafragma.
Muito possivelmente resultado de maus tratos ou atropelamento, mas talvez um dos motivos de seu abandono.
Precisaria se submeter a uma cirurgia.
Muito arriscada.
Poucas chances de sobrevivência.
Todos os seus órgãos estavam impregnados em seus pulmões.
Por isso não conseguia se alimentar direito.
Fomos perguntados se faríamos a cirurgia.
???
Era isso ou esperar a morte daquela cachorrinha que tinha apenas duas semanas de convivência conosco.
Não havia opção.
Sequer o que pensar.
A cirurgia foi feita.
Por mais de 4 horas, Kate lutou para sobreviver.
A equipe médica foi brilhante.
Kate levou a melhor.
As chances de vida ainda eram pequenas.
Foram mais 10 dias de internação, sendo 3 de UTI.
Kate continuava firme.
Mais alguns meses e enfim a alta.
Kate venceu.
Isto já faz um ano.
E não há como negar, a felicidade que esta simpática cadelinha trouxe é algo incomensurável.
Tomara que todos nós possamos encontrar animais que façam boas ações como esta.
Pequenos guerreiros que se deixam serem adotados.
E enchem nossas vidas de felicidade e muito amor.
Obrigado Kate.
