Deputado pegou carona em injustiça histórica contra Xuxa Meneghel
Ontem, de maneira absolutamente deselegante, demagógica e ignorante, o Deputado que se autodenomina Pastor Eurico (PSB-PE), utilizou-se de mentiras, disseminadas há anos, para atacar a apresentadora Xuxa Meneghel, da Rede Globo.
O assunto em questão – a “Rainha dos Baixinhos” ter feito suposto filme pornô com crianças – é uma grande falácia.
Injustiça, até.
Por sinal, ampliada pelo fato da própria Xuxa, mal orientada, ter feito das tripas coração para evitar a exibição da película, e posterior distribuição em vídeo, demonstrando auto preconceito – um equívoco – chamando a atenção, cada vez mais, para algo que não deveria ter a menor importância.
“Amor Estranho Amor” é um dos melhores filmes da história do cinema brasileiro, invariavelmente tratado com avaliação de “cinco estrelas” pelos principais críticos, entre eles o famoso Rubens Ewald Filho (que tem uma ponta na película).
Dirigido por Walter Hugo Khouri e estrelado por Marcelo Ribeiro, Xuxa Meneghel, Tarcísio Meira e Vera Fischer.
É uma história, belíssima, e inteligente, de como, no passado, grandes decisões políticas do país foram tomadas em reuniões realizadas nos famosos bordeis de luxo.
Xuxa tem como personagem uma iniciante na mais antiga das profissões, que disputa a atenção do personagem de Tarcísio Meira, amante da dona do negócio, representada por Vera Fischer.
A polêmica se dá pela descontextualização de uma cena, viralizada pela internet, em que a personagem de Xuxa deita-se com o garoto que narra a história, insinua mais do que mostra – e faz – uma cena mais íntima, que serviria para se vingar da dona do bordel, a mãe do menino.
Muito bem filmada, a cena, mais comportada do que centenas já exibidas na história, não apenas do cinema, mas também da televisão, passaria despercebida não fosse a maldade em relacionar um trabalho de atriz com a realizade de comportamento de Meneghel, e sua relação com as crianças.
O referido Pastor, que em sua igreja – como noutras país afora – comete, sim, imoralidades inenarráveis aproveitando-se da ignorância popular, sequer deve ter assistido o filme, até porque sua cultura, ínfima, não permitiria entendê-lo.
Xuxa não é santa, mas também não é demônio – até disso já foi acusada – e, como toda pessoa pública, está sujeita a críticas e elogios, porém, não merece ser condenada pelo que nunca fez.
Seus acertos superam, e muito, qualquer eventual deslize de juventude, no qual não está incluida a participação em “Amor Estranho Amor.”, e sim, a desnecessária proibição do acesso popular a uma obra tão rica e necessária.
Bem diferente dos antros de arrecadações dirigidos por “pastores” Euricos e assemelhados, estes sim dignos de constrangimento.
