“Esquenta”, tráfico e polícia
(Trecho da COLUNA de REINALDO AZEVEDO, na FOLHA)
“A regina-casezação da morte do bailarino Douglas Rafael, num contexto que se mostra a cada dia mais complexo, para dizer pouco, serviu de esquenta para a satanização da polícia, não dos maus policiais.
Tenho, sim, críticas severas à política de Segurança Pública de José Mariano Beltrame, mas elas nada têm a ver com a presença da PMs nas favelas.
Ignorar, ou deixar de noticiá-lo com clareza, que o narcotráfico transformou o rapaz num totem e que sua morte está servindo de instrumento de luta política do crime organizado corresponde a fazer assessoria de imprensa para a bandidagem.
E com direito a muitas lágrimas das celebridades globais, que, como lembrou Ruy Castro nesta Folha, não comparecem ao enterro de policiais assassinados.
Ora, ninguém dá bola para pobres reacionários de farda.
Eles desafiam a fantasia daquela suposta integração da Cidade Maravilhosa, sem pecado e sem perdão.
A proximidade entre asfalto e morro no Rio resulta, às vezes, num cruzamento malsucedido.
Cada um transmite ao outro o que tem de pior.”

