O maior goleiro escritor de todos os tempos
Por JOSE RENATO SATIRO SANTIAGO
O futebol sempre nos reserva surpresas.
Sua história mais ainda.
Faz alguns anos adquiri o livro “O Goleiro Acorrentado”.
Uma publicação deliciosa, cheia de causos de seu autor, um goleiro.
Durante sua carreira, tinha defendido mais de 10 equipes.
Entre elas o grande Vasco da Gama.
Certa vez, em 1969, defendendo a equipe da Cruz de Malta frente ao Bangu, no Maracanã, foi protagonista de um lance inusitado.
Ao tentar repor a bola em jogo, acabou jogando a bola contra suas próprias redes.
Gol do Bangu.
Fim do primeiro tempo.
Os repórteres dirigiram em sua direção.
Queriam saber o que tinha acontecido.
Seriam cegos?
O goleiro dirigiu-se ao vestiário.
E deixou claro: “Ninguém vai me tirar de campo”.
Carlos Alberto Parreira, então preparador físico, o chamou para o lado e começou a chutar a bola para ele.
Assim passou todo o intervalo.
A estratégia era que o goleiro não ficasse pensando no “acidente de trabalho”.
De volta ao gramado, novo encontro com os repórteres.
Um deles arriscou e perguntou: “Você voltou? Vai continuar jogando?”
O arqueiro respondeu: “E quem é o goleiro? Não sou eu?…”
Fechou o gol no segundo tempo.
Meses depois, era o goleiro reserva de Andrada no jogo do milésimo gol de Pelé.
Andrada não iria atuar.
Momentos antes do inicio da partida, o arqueiro argentino mudou de ideia.
Foi a campo, tomar o Gol 1.000 do Rei.
Sorte do Rei.
Muita história.
Alguns anos atrás fui presenteado.
Tive a alegria de conhecer o autor e personagem deste livro.
E ganhei algo ainda maior, sua amizade.
Obrigado, Valdir Appel.


