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Diretor da ESPN Brasil explica, de maneira exemplar, detalhes que levaram emissora a demitir Flavio Gomes

palomino

No último dia 27, o Dr. Francisco Rocha, ligado à Portuguesa de Desportos, enviou carta ao Diretor de Jornalismo da ESPN Brasil, João Palomino, com diversas colocações – contrárias – à demissão do jornalista Flavio Gomes, consequência do famoso episódio da “twittada” ofensiva à torcida do Grêmio.

Demissão, vale a pena deixar claro, apoiada pelo Blog do Paulinho, que, assim como a ESPN, entende que as mídias sociais devem ser utilizadas com responsabilidade pelos jornalistas.

Espaços que são, por razões óbvias, extensões de seus trabalhos.

Palomino enviou resposta às indagações e colocações do Dr. Francisco, ontem, também por email, esclarecendo, não apenas seu posicionamento, mas também o da emissora, citando ainda, nominalmente, o apoio de seus colegas de trabalho.

Confira abaixo:

De: “Palomino, Joao L.” <Joao.L.Palomino@espn.com>

Data: 28 de novembro de 2013 16:20:52 BRST

Para: Chico Rocha <chicorocha1965@gmail.com>

Assunto: RES: Demissao do Flavio Gomes

Olá Chico

Primeiro, gostaria de agradecer o envio do email. Cordial, com discernimento e objetividade.

Como te falei, não tenho nenhuma preocupação ou restrição em falar sobre o assunto ou sobre o Flávio.

Foi um dos episódios mais tristes da minha curta passagem por esta emissora como diretor ainda, 2 anos, e longuíssima como apresentador e narrador, 18 anos.

Neste período todo, tornei-me admirador, colega, companheiro e parceiro de trabalho do Flávio Gomes.

Torcia por seus projetos e por uma participação mais efetiva no ar.

Aliás, algo que eu incentivei como narrador e apresentador antes, e como diretor depois.

Ocorre que, antes mesmo de assumir a posição, houve um fato marcante, relatado pelo José Trajano, e que envolvia o Flávio. O meio: twitter. A ocorrência: xingamentos, brigas, e muita reclamação dos fãs. Time? São Paulo. Depois, Corinthians, depois, São Paulo de novo. Palmeiras, outros clubes…

Pouco tempo depois, eu ainda não era diretor, houve mais uma série de reclamações vindas de um dos parceiros nossos, sobre o comportamento do Flávio no Twitter. Nosso presidente, German, conversou pessoalmente com ele.

Em seguida, uma série de relatos e reclamações que vinham de várias pessoas, não importando aqui a camisa.

E chego a este tema na sequência: a camisa não tem nenhuma relação com que fato. Nenhuma.

Assumi a direção e tive uma conversa franca com o Flávio. Sugeri que ele adotasse o mesmo procedimento que eu tenho no twitter: “use o twitter como se fosse um microfone. Não publique o que você não falaria num microfone.”

O Flávio mesmo admitiu sair do Twitter se fosse para ter esta ferramenta com restrições.

Disse a ele que não seriam restrições, mas um comportamento que se espera de um jornalista, formador de opinião, pessoa respeitada e que não pode ficar dissociada do nome da empresa, qualquer que seja a empresa, no caso aqui, a ESPN.

Ele nunca concordou.

O Flávio vê o twitter como uma ferramenta particular. Pode ser, desde que você não tenha seu nome atrelado ou relacionado a uma empresa.

É assim que pensamos e defendemos aqui.

Houve uma série de outros fatos, todos envolvendo casos muito parecidos com o que houve após o jogo Grêmio x Portuguesa.

Este foi apenas mais um, e chegou a um momento em que tínhamos de nos posicionar de forma definitiva, porque todas as etapas anteriores tinham sido cumpridas.

Eu tinha de me posicionar. Não poderia nunca me acovardar neste momento.

Lamentando, com dor no coração, mas tinha de ser feito. E concordaram com a decisão José Trajano, Juca Kfouri, João Carlos, Calçade, PVC, Plihal. Não que eu precisava deste aval.

Houve um erro grave cometido por mim neste caso, e é citado algumas vezes no seu email: quando cito um trecho do hino do Grêmio. Desnecessário. Concordo plenamente.

E concordo que isso pode ter passado a sensação de que houve pressão do Koff, ou que a pressão dos torcedores do Grêmio surtiu efeito. Não é verdade. Nós não capitulamos. Nunca. E nunca haverá isso.

Houve sim uma recorrência interminável que nos levou àquela resposta, infelizmente, garanto pra você, infelizmente.

Fui achincalhado, xingado, ridicularizado no twitter.

Me calei por respeito ao Flávio. Poderia elencar todos os motivos que nos levaram àquela decisão, mas entendi que isso poderia prejudicá-lo ainda mais.

Fui acusado de ter ceifado a liberdade de expressão, a  liberdade de imprensa, de ter imposto censura no canal. Balela.

O João Carlos, o Lúcio e o Trajano expuseram no ar o conflito de sentimentos que tivemos naqueles dias. Mas a decisão não foi contestada em nenhum momento porque eles sabiam, do que se tratava.

Críticas à CBF, aos clubes, aos jogadores, aos estádios, à Rede Globo, ao Grêmio, à Portuguesa, fazem parte do nosso dia a dia e me recuso, terminantemente, a dizer, a qualquer um dos nossos comentaristas, o que deve dizer e como deve dizer.

Os casos por você citados no email vem de pessoas que tem ligação clara com uma função e um clube.

O Flávio tem uma ligação clara com um clube e com uma função, mas não podem se confundir.

Ser Grêmio ou Portuguesa ou São Paulo ou Cruzeiro ou Inter ou Bahia, no caso do Flávio, pouco importava. Não foi isso, e nunca seria isso, que o tirou daqui. Mas, infelizmente, a forma como ele vê uma ferramenta poderosa, de transformação, e que tem, de ser cuidada por todos.

Não tem nenhum sentido imaginar, sequer imaginar, que ele foi demitido por conta de ser torcedor da Lusa. Ninguém defende mais as tradições, cultura e arte do futebol de clubes como a Lusa do que a ESPN.

Você deve comprovar isso na nossa programação.

Aprendi a admirar a Portuguesa muito cedo, por intermédio de um goleiro, Lula, grande, gordo, que jogou em Taquaritinga. Eu joguei com ele. Treinava com ele. E cada história ele contava.

Não peço a sua compreensão.

Mas saiba que foi mesmo um dos episódios mais tristes que passei aqui e do qual não me orgulho em nada.

Abraços

João Palomino

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