Inteligência em greve

“Que progresso estamos fazendo. Na idade Média teriam queimado a mim; hoje em dia eles se contentam em queimar meus livros”

Sigmund Freud

“Onde se queimam livros acabarão por se queimar pessoas”

Heine – poeta alemão de origem judaica

Poucas vezes a Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao Estádio do Morumbi, foi palco de um evento tão lamentável.

Nem as torcidas organizadas, que freqüentemente transformam o local em praça de guerra, seriam capazes de cometer um ato de tamanho barbarismo.

Sob o pretexto de realizar um protesto por melhores condições de trabalho – justo, por sinal – professores da rede pública de São Paulo queimaram livros em praça pública.

Gente que ao se formar jurou difundir a educação, dando fim aos objetos que lhe proporcionaram o conhecimento necessário para exercer a profissão.

Os livros, responsáveis por contar a nossa história, democratizar o conhecimento, verdadeiros poços de cultura, são, sem dúvida, os bens mais valiosos da humanidade.

Quem atenta contra eles é indigno de possuir tamanha responsabilidade.

Ser professor, antes de tudo, é saber ensinar a cidadania.

Como sugerir a seus alunos que os livros possuem importância, se ao menor sinal de descontentamento é neles que descontam suas frustrações ?

Durante a Segunda Grande Guerra, os nazistas queimavam livros, protestando contra o que consideravam distorções de conhecimento.

Num dos momentos mais deploráveis de toda nossa história.

Sabemos muito bem o que resultou depois disso.

Há de se ter noção da importância de ensinar antes de cometer atos impensados e que atentam contra a própria dignidade da sociedade.

Quem desrespeita o passado não tem condição moral de ensinar o futuro.

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