PONTOS CORRIDOS
De Rui Branquinho
O campeonato ainda não acabou, mas quase todo torcedor com o mínimo de bom-senso já consegue tirar ao menos uma grande lição não só desse, mas dos últimos campeonatos de pontos corridos: sem planejamento, organização e seriedade não dá mais para ganhar um Brasileirão. Pelo menos se o campeonato for realmente resolvido dentro de campo. E é muito bom ver essas qualidades premiadas por aqui.
Não cansamos de comparar a qualidade do nosso campeonato com a dos campeonatos dos principais países da Europa e sabemos que, no fundo, a grande diferença é o profissionalismo dos nossos amigos europeus. Afinal, esses torneios só atraem anunciantes, marcas importantes e parcerias com empresas porque são considerados sérios. É daí que começa a aparecer o volume de dinheiro que tanto diferencia o Campeonato Brasileiro do Italiano, do Inglês, do Espanhol… Não existe campeonato sério sem clubes bem estruturados, com profissionais capacitados, transparência nas contas, bom-senso e planejamento.
Juntando as duas coisas, é aí que me surpreendo quando vejo que todos querem a evolução do nosso campeonato para patamares pelo menos próximos dos europeus. E ainda ouço muitos questionamentos sobre a fórmula de disputas atual.
Como assim? Alguém tem dúvida que o sistema de pontos corridos realmente premia o clube que melhor se preparou para a “maratona” de jogos de um Brasileirão?
O planejamento passa pela composição do elenco – contando com suspensões, contusões e perda de algumas peças chaves para outros mercados, convocações para a seleção –, a composição da comissão técnica profissional, o planejamento do dia a dia, entre outros fatores, para se manter competitivo ao longo de todo o campeonato.
Isso sem falar do marketing. Não há nada pior para o marketing de um clube que não poder se programar. Não saber, por exemplo, até em que dia o time estará disputando um torneio, as datas dos jogos com bastante antecedência, ou não conseguir mensurar para os parceiros envolvidos quantos jogos você mandará no seu estádio durante o ano etc. etc. etc…
Não defendo a fórmula porque ela, teoricamente, é ideal para o São Paulo. Inclusive por isso e por muitos considerarem a administração do clube um exemplo, esperava que ninguém mais questionasse o fórmula de pontos corridos.
Infelizmente, já vi muitos jornalistas defendendo a volta do mata-mata, cruzamentos, play offs, sei lá…,para dar mais emoção ao campeonato.
Mais emoção que ter cinco ou seis clubes disputando uma vaga na Libertadores e, portanto, envolvendo o mesmo número de jogos por rodada e outros cinco ou seis times adversários? Isso sem falar na zona de rebaixamento. Outros cinco ou seis times envolvidos. Ou seja, apenas uns cinco ou seis clubes não estão mais “interessados” no campeonato – aqueles que já não podem se classificar para a Libertadores, mas também não caem mais.
Resumindo: no mínimo, restam quatro jogos eletrizantes até a última rodada. Isso com o campeão definido.
Defender o fim dos pontos corridos são dez passos para trás para o futebol. E uns cinqüenta para o marketing. Quem precisa organizar a melhor Copa do Mundo em 2014 não pode nem pensar em dar um passo para trás. Aliás, tem que correr. E muito.
