A verdade no caso Ricardinho
Está no “Blogol”
CASO RICARDINHO – A VERDADE
Por ANDRÉ KFOURI
Antes de mais nada, um aviso: não falei nem com Bernardinho e nem com Ricardinho.
O que você lerá abaixo é fruto de conversas com três pessoas próximas (de formas diferentes) do episódio do corte do levantador.
É lógico que não posso revelar seus nomes.
O desgaste no relacionamento entre os dois “inhos” é antigo e era inevitável.
São personalidades parecidas, extremamente competentes e competitivos, dois líderes de um mesmo grupo.
A posição de porta-voz dos jogadores, exercida por Ricardinho nas mais variadas questões (com a comissão técnica e com a Confederação), apenas aumenta o atrito entre jogador e treinador.
Há relatos de desentendimentos motivados, por exemplo, por folgas.
Um deles aconteceu ano passado, quando a Seleção retornou ao Brasil depois de semanas no exterior. Bernardinho deu dois dias de descanso para o time, e marcou a reapresentação para o Rio de Janeiro.
O local não caiu bem para quem não mora na cidade, o que levou Ricardinho (que vive em Maringá) a dizer algo do tipo: “Se o tempo já é curto para você, que vai dormir na sua casa, imagine para quem tem de viajar para ver a família…”
Ricardinho sempre foi, e será, contestador.
Isto serve para dizer que o corte foi o resultado de um processo, e não um fato isolado.
Mas os últimos episódios foram os seguintes: antes da última Liga Mundial, Ricardinho conversou com o presidente da CBV, Ary Graça Filho, sobre a premiação em caso de título da Liga e dos Jogos Pan-Americanos.
Ouviu do dirigente que, no que dizia respeito ao Pan, a conversa não era com ele, e sim com o Comitê Olímpico Brasileiro.
Ricardinho procurou, então, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.
Há quem diga que Giba e Gustavo foram junto, mas não consegui confirmar.
Também há diferentes versões em relação ao tempo que Nuzman o deixou esperando. Mas não foi menos de duas horas.
Ao fim das quais, Ricardinho ouviu da secretária de Nuzman que não seria recebido. E foi embora.
Claro que os jogadores não gostaram.
Na Polônia, após ser escolhido o melhor jogador da fase final da Liga Mundial, Ricardinho não quis dividir o prêmio em dinheiro com a comissão técnica.
É costume que os valores de prêmios individuais sejam repartidos entre os jogadores, mas Ricardinho não achou correto que Bernardinho e seus auxiliares entrassem no rateio.
O argumento é que a comissão técnica recebe salário da CBV.
Na polêmica, dois outros líderes do time (Giba e Gustavo, eu suponho, porque não ouvi os nomes da boca de ninguém) concordaram com a posição do melhor levantador do mundo.
Foi quando Bernardinho percebeu que o controle do time estava sob risco. E decidiu pelo corte.
Ninguém pode afirmar que os dois se entenderão e voltarão a trabalhar juntos. As pessoas com quem conversei não acham que seja impossível.
Qualquer que seja o desfecho do caso, será certamente um dos capítulos mais interessantes da auto-biografia que Ricardinho está escrevendo, com a ajuda do jornalista Luiz Carlos Ramos.
O livro se chamará “Levantando a Vida”, e deve ser lançado no mês que vem.
