O mistério de 2006
O STJD requisitou as gravações feitas pelo MPF em que supostamente existiriam indícios de compra de resultados para evitar um possível rebaixamento do Corinthians no Campeonato Brasileiro de 2006.
Apenas para recordar, o Corinthians fazia péssima campanha, estava nas ultimas colocações e teria escapado do descenso graças a um milagroso trabalho do treinador Emerson Leão, período em que a equipe levou menos gols e venceu mais partidas.
Resolvi pesquisar todos os jogos que o Corinthians realizou no segundo turno do campeonato, que é realmente o período em que o rebaixamento é decidido.
A equipe de Parque São Jorge terminou o primeiro turno do Campeonato na 18ª posição com 20 pontos conquistados, 6 vitorias, 2 empates e 11 derrotas, marcou 20 gols e sofreu 28.
Ficou a apenas dois pontos do Santa Cruz, o ultimo na tabela.
O segundo turno realmente foi surpreendente.
O Corinthians, contando apenas a classificação e os 19 jogos do turno final, terminou na 5ª colocação com 33 pontos, 9 vitorias, 6 empates e 4 derrotas, 21 gols marcados e 18 sofridos.
No geral, juntando ambas as classificações, o time de Parque São Jorge terminou o campeonato na 9ª colocação com 53 pontos, 14 acima da zona de rebaixamento, com 15 vitórias, 8 empates e 15 derrotas, marcou 41 gols e sofreu 46.
Vou destacar abaixo alguns números da participação corinthiana, que está agora sob suspeita, no segundo turno da competição.
Nas 19 partidas, 7 foram apitadas por árbitros do Rio de Janeiro, 4 do Rio Grande do Sul, 3 de Paraná e São Paulo, 1 de Pernambuco e Mato Grosso.
Os árbitros que mais apitaram partidas do Corinthians foram Carlos Eugenio Simon e Wagner Tardelli com 3 partidas cada um.
O interessante é que nas 6 partidas apitadas por esses dois árbitros o Corinthians não foi derrotado.
Foram 3 vitórias e 3 empates, 8 gols a favor e apenas 2 contra.
A partida mais polemica de todas foi entre Corinthians 1×0 Ponte Preta, realizada no Pacaembu, em que o árbitro Sálvio Espínola Fagundes Filho assinalou um absurdo pênalti em cima de Rubens Junior, a favor do Corinthians, que foi convertido por Marcelo Mattos.
O que me chamou a atenção é que foi nesse jogo que o Corinthians escapou da zona de rebaixamento.
Na maioria das outras partidas os árbitros tiveram atuações que podem ser consideradas como normais.
Claro que existem inúmeras maneiras de um árbitro conduzir o resultado de uma partida sem que tenha atitudes que possam causar suspeitas, mas a principio, nada leva a crer, observando os jogos, que o Corinthians tenha sido beneficiado a ponto de evitar o rebaixamento.
Por outro lado, antes da denuncia da máfia do apito, ninguém havia notado que o canalha Edilson Pereira de Carvalho havia vendido os jogos.
Não dá para afirmar com convicção que aconteceu e muito menos que não tenha ocorrido nada.
Principalmente quando se trata de desqualificados mafiosos, como a MSI.
Abaixo publico todas as partidas.
20ª rodada – 27/08 – Corinthians 0x2 Grêmio
Local: Pacaembu – SP
Árbitro: Evandro Rogério Roman (PR)
21ª rodada – 30/08 – São Caetano 0x1 Corinthians
Local: Anacleto Campanella – SP
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS)
