Pan 1987, impossível esquecer…

21/03/2007 – 09h00
Derrota para Brasil iniciou revolução no garrafão
Giancarlo Giampietro e Renan Prates
Em São Paulo
A vitória na casa dos inventores do basquete sobre um anfitrião que colecionava 64 vitórias nos últimos 66 jogos de Pan não se limitou a ser apenas uma das maiores da história do basquete nacional. Até aquele momento, os EUA eram representados por atletas universitários, mas o tropeço em Indianápolis e a queda diante da União Soviética na semifinal da Olimpíada de 1988, em Seul, desencadearam esse processo de globalização.
A derrota de virada, depois de estabelecida uma vantagem de 14 pontos ao final do primeiro tempo que parecia confirmar um clima de absoluto favoritismo, chocou o país e ganhou o noticiário com direito até a foto de primeira página no “New York Times” e reportagens nas revistas Sports Illustrated e Time .
Os Estados Unidos não puderam conter a dupla Oscar Schmidt e Marcel. Os dois alas marcaram juntos 55 dos 66 pontos do Brasil no segundo tempo e deixaram a equipe da casa atônita com suas cestas de três pontos.
“Foi o ápice de uma geração. Todos os jogadores deram o seu melhor naquela partida”, afirmou Marcel. “Nós nos preparamos muito para aquele jogo. Mas mesmo assim não acreditávamos na vitória”, contou Oscar. Se não esperavam um resultado positivo, os dois jogadores não poderiam nem imaginar que o placar de 120 a 115 e a conquista da medalha de ouro serviriam como um divisor de águas no esporte, com a globalização da NBA e a entrada dos astros norte-americanos em Olimpíadas e Mundiais.
Além dos danos à autoconfiança dos EUA, o título brasileiro em Indianápolis proporcionou mudanças estruturais nas regras do basquete amador norte-americano. “Eles não conheciam a linha de três pontos, o que acabou se tornando uma arma na partida. Depois daquela derrota, ela passou a fazer parte dos campeonatos deles”, explicou Marcel.
Receosa, a federação dos EUA (USA Basketball) abriu negociações com a Fiba (Federação Internacional de Basquete) para que a presença dos profissionais da NBA fosse liberada em competições internacionais. E a pressão deu certo: em 1989 a entidade anunciou a mudança nas regras. E o caminho foi aberto para criação do “Time dos Sonhos” em Barcelona-1992, uma seleção que ficou para a história da modalidade.
A reunião do “primeiro escalão” dos Estados Unidos foi a coqueluche dos Jogos na Catalunha. Os adversários tiravam fotos com os ídolos antes dos confrontos. “Foi como colocar Elvis Presley e os Beatles para cantarem juntos. Treinar este time foi como comandar 12 astros de rock”, afirmou Chuck Daly, técnico da equipe.
Se o brilho das outras seleções com atletas da NBA não foi o mesmo, o país ao menos alastrou seu domínio pelas Olimpíadas de Atlanta-1996 e Sydney-2000 e pelo Campeonato Mundial de 1994 – na edição de 1998, uma greve dos jogadores da liga profissional se estendeu à seleção, superada na semifinal.
Com o decorrer das competições, o resto do mundo mostrou evolução gradual. Se em Barcelona, a vitória mais “apertada” foi a de 32 pontos na decisão contra os croatas, na semifinal em Sydney os lituanos tiveram a bola do jogo nas mãos, mas erraram antes do estouro do cronômetro. Nessa época, a NBA já estava invadida por estrangeiros.
Por coincidência, esse panorama hegemônico ruiu na mesma Indianápolis, 15 anos mais tarde, desta vez pelo Mundial. Novamente contra um país sul-americano. Liderada por Manu Ginóbili, a Argentina impôs um convincente placar de 87 a 80 na segunda fase, tendo liderado do início ao fim. A derrota foi a primeira em 58 jogos disputados pelos atletas da NBA e desestabilizou o selecionado norte-americano, que ainda perdeu outras duas partidas (Iugoslávia e Espanha), terminando o Mundial na sexta colocação.
A equipe agora pena no cenário internacional. Nas Olimpíadas de Atenas-2004, no que poderia ser a revanche contra a Argentina, outra derrota: 89 a 81 na semifinal. Com três resultados negativos, os norte-americanos terminaram em terceiro. Esta posição voltou a ser repetida dois anos mais tarde, no Mundial do Japão, com a Grécia como a algoz da vez, novamente na semifinal.
Com universitários ou profissionais, portanto, os Estados Unidos já não assustam como antes. E a supremacia pode ser restabelecida? A dupla de 87 acha difícil. “Só voltam a vencer se treinarem para valer”, disse Oscar. “Eles têm de repensar muita coisa se quiserem voltar ao topo”, arrematou Marcel. Já o Brasil também demora a retornar a seu melhor basquete masculino. Ficou fora das duas últimas Olimpíadas. Algo que aumenta o saudosismo em relação à façanha de 1987.
Fonte: UOL Esporte
Foi com certeza uma das maiores façanhas esportivas da história.
Uma vitória inesquecível, emocionante, pela atitude da equipe brasileira que a medida que o tempo passava se agigantava perante uma equipe até então considerada imbatível, que jamais havia perdido jogando em seus domínios.
O vitória brasileira espantou o mundo e fez com que os EUA encontrassem talvez a derrota mais amarga de sua história.
Impossível esquecer a aparencia incredula dos jogadores americanos ao final do jogo e a comemoração contagiante de Oscar, Marcel e seus companheiros.
Uma bela lembrança agora que estamos próximos de mais um Pan.
