Flamengo se revolta contra a altitude

Apesar do empate por 2 a 2 contra o Real Potosí, na Bolívia, na estréia na Copa Libertadores da América 2007, o Flamengo divulgou que não pretende mais entrar em campo com altitude superior a recomendada pela medicina esportiva.

A partida da última quarta foi disputa em uma altitude de 3,8 mil metros, apesar de a cidade de Potosí ter localidades que ultrapassam os 4 mil metros. De acordo com o médico Vinícius Martins, o aceitável para a prática do esporte é até 1,5 mil metros.

Nesta manhã de quinta-feira, o Flamengo emitiu um comunicado em seu site oficial afirmando que tomará as medidas cabíveis para não entrar mais em campo com altitudes não recomendadas.

“O Flamengo torna público que vai comunicar oficialmente à CBF, à Confederação Sul-Americana e à Fifa que, doravante, não comparecerá a partidas em altitude superior aos limites recomendados pela medicina esportiva”, afirmou o comunicado, assinado pelo presidente Márcio Braga.

“O campo de jogo, em altitude não recomendada pela medicina, não oferece igualdade de condições aos oponentes, ferindo o princípio da desportividade”, acrescentou.

Mesmo com a “desvantagem”, o time rubro-negro conseguiu arrancar um empate por 2 a 2 com o Real Postosí após estar perdendo por 2 a 0.

Os jogadores mostraram os sintomas da altitude antes e depois do jogo. Alguns reclamaram de dores de cabeça, enquanto outros precisaram de balões de oxigênio ainda no campo de jogo.

Confira o comunicado na íntegra:

1. Ontem à noite, o Flamengo arrancou um empate heróico contra o Real Potosí, em condições anti-desportivas e desumanas.

2. A presidência do clube faz questão de homenagear os profissionais que, em jornada épica, encarnaram o lema rubro-negro, segundo o qual, nossa glória é lutar.

3. E deseja também enaltecer a presença de uma torcida do Flamengo em Sucre, dado marcante da grandeza do clube e do tamanho da nação rubro-negra.

4. Mas, torna público que vai comunicar oficialmente à CBF, à Confederação Sul-Americana e à Fifa que, doravante, não comparecerá a partidas em altitude superior aos limites recomendados pela medicina esportiva.

5. Por definição, o campo de jogo é um espaço que deve oferecer igualdade de condições aos oponentes que buscam a conquista esportiva, mediante esforço que engrandece a condição humana, contribuindo para a educação e a saúde.

6. Primeiramente, o campo de jogo, em altitude não recomendada pela medicina, não oferece igualdade de condições aos oponentes, ferindo o princípio da desportividade, o “fair-play”.

7. Por fim, a prática esportiva, em condições não recomendadas pela medicina, faz do esforço físico um ato bárbaro, degrada a condição humana e coloca em risco a vida dos atletas. Não proibir jogos nessas condições é o mesmo que ser conivente com a dopagem.

8. O Flamengo, em nome do esporte, denuncia a responsabilidade que as entidades de administração, em especial a Fifa, têm com a preservação da prática esportiva em condições humanas e com a vida dos atletas e não jogará mais em altitude não recomendada pela medicina. O Flamengo é responsável.

9. Flamengo, Flamengo tua glória é lutar.

Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2007
Márcio Baroukel de Souza Braga – Presidente


Fonte : Terra Esportes


Uma louvavel atitude do Flamengo que deve servir de exemplo para outras equipe e seleções que são obrigadas a se submeter as condições desumanas de locais impróprios para a pratica de qualquer esporte.


Equipes mediocres se utilizam de fatores extra-campo, como a altitude para tirar vantagem e detrimento da igualdade de condições que é um dos princípios basicos do esporte.


Apoiamos o Flamengo e esperamos que outras equipes tambem batam o pé para que nunca mais tenhamos jogos em condições tão desumanas.

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