
Ontem, em uma exposição coordenada de influencers — repercutida, mas não investigada por parte da mídia —, circulou a informação de que André Castro, conselheiro do Corinthians, seria candidato à presidência do clube.
Mais do que isso: com a promessa de injetar, por meio de investidores, estratosféricos US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões).
Como de hábito, sempre há quem acredite.
Não é a primeira “esperteza” que Castro — que parece gostar da palavra bilhão — tenta aplicar no Timão.
À época de Duílio “do Bingo”, um dos líderes da chapa pela qual foi eleito conselheiro, tentou intermediar alguns negócios — sem sucesso.
Como ‘prêmio de consolação’, ganhou, em 2021, uma vaga nas categorias de base do clube

Castro voltou à carga em 2024, desta vez com Augusto Melo no poder.

R$ 240 milhões
Em reunião com Augusto Melo, na presença de Valmir Costa, André Castro propôs ao Corinthians — na condição de “representante” (na verdade, intermediário) do grupo Maxxii, escritório pertencente a um amigo de infância chamado Marco — a venda de R$ 1,6 bilhão em ações do falido Banco do Estado de Santa Catarina, incorporado pelo Banco do Brasil, com deságio de 85%.
Ou seja: o clube pagaria “apenas” R$ 240 milhões.
A comissão de André seria de 10%.
Ele alegava que os papéis, adquiridos a preços módicos, poderiam ser trocados na Caixa Econômica Federal pela dívida do estádio de Itaquera — e ainda sobraria dinheiro.
Para investigar a oferta, o Corinthians enviou dois representantes, que se reuniram, em datas distintas, na sede da Maxxii.
O Blog do Paulinho teve acesso aos registros de portaria do Edifício Numa de Oliveira, na Av. Paulista nº 1009, local dos encontros.
No dia 7 de março, Marcelo Mariano (Marcelinho), diretor administrativo alvinegro, entrou no prédio às 11h14 e saiu às 12h44 — permaneceu por 1h30.
Em 3 de abril, foi a vez de Osmar Stabile, então vice-presidente do Corinthians, que ingressou às 12h20 e saiu às 13h17 — praticamente uma hora de reunião.

A avaliação da diretoria do Corinthians — então conduzida por cartolas que, conforme demonstra recente inquérito policial, não teriam problema algum em dividir comissionamentos — era de que o negócio poderia se tratar de fraude.
O tempo lhes deu razão.
Em 8 de abril de 2025, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu que ações preferenciais do BESC não podem ser usadas como compensação automática para pagamento de dívidas com o Banco do Brasil.
O motivo: têm baixa liquidez e a compensação deve envolver obrigações de mesma natureza.
Confira:
TJSC rejeita uso de ações do BESC para pagar dívida com Banco do Brasil – Imprensa – Poder Judiciário de Santa Catarina
Ou seja: se tivesse embarcado na proposta de André Castro, o Corinthians perderia R$ 250 milhões e ficaria com o que o mercado chama de “papel podre” — sem valor real de mercado.
Ouvimos, sob anonimato, um especialista do setor:
“O Corinthians pagaria dinheiro (ainda que com ‘desconto’ de 85%) para receber papéis cuja conversão em valor real é incerta e judicialmente contestada.”
“A avaliação de R$ 1,6 bilhão parece considerar o valor nominal/histórico dos títulos, e não o valor de mercado real ou realizável.”
“Se o clube comprasse e os papéis não fossem convertidos em ações do Banco do Brasil ou indenização, o ativo poderia valer praticamente zero.”
“Além disso, o uso desses papéis para quitar dívidas dependeria da aceitação dos credores ou de decisão judicial favorável — algo improvável, dado o precedente do TJSC.”
Agora, André Castro surge com nova proposta “mirabolante”, de valor surreal e aplicação nebulosa — segundo bastidores, em moldes semelhantes ao mau negócio ofertado a Augusto Melo.
O objetivo do conselheiro não é, como sugere, tornar-se presidente do Corinthians — até porque sabe que não possui votos —, mas fazer barulho na imprensa e nas redes sociais, encostar-se a uma candidatura viável e tentar emplacar o negócio.
Se não é golpe, parece.
Como observado ontem nas redes sociais, com grande apoio de estúpidos.

Detalhes reais de André Castro
André Castro não é “executivo” da XP, como mencionado nas postagens — sem que ele, convenientemente, se desse ao trabalho de desmentir.
A empresa sequer o conhece.
Castro é funcionário da Alta Vista Investimentos, atuando como “assessor de investimentos”, função pela qual é remunerado exclusivamente por comissão.
Se não vender, o salário é zero.
A Alta Vista funciona como uma espécie de concessionária da XP, ou seja, uma captadora de clientes.
O capital social é de R$ 1 milhão.
Deste valor, a parte de André Castro — já que todos os colaboradores constam no contrato social, por conta do modelo de negócio — corresponde a ínfimo R$ 1 (um real).



Antes da Alta Vista, Castro abriu dois CNPJs, ambos registrados com seu nome de batismo, e igualmente extintos após cerca de um ano de movimentações: um com capital social de R$ 1 mil e outro de apenas R$ 100.
Em 29 de março de 2019, processado pelo Bradesco após dar calote na compra de um modesto apartamento financiado pelo HSBC (absorvido pelo banco) — no valor de R$ 250 mil, com parcelas em torno de R$ 1,7 mil — que precisou vender para quitar a pendência, o conselheiro do Corinthians apresentou nos autos um “Atestado de Pobreza”, no qual se declarava “pobre no sentido legal do termo”.

De fato, era.
O Blog do Paulinho teve acesso a dois registros de empregos de André Castro antes de sua entrada na Alta Vista.
Em dezembro de 2017, na função de “vendedor”, o conselheiro trabalhava na SPG Distribuidora de Veículos, recebendo apenas R$ 300 de salário fixo — valor provavelmente complementado por comissões.

Após, em 18 de novembro de 2018, Castro trabalhou como ‘supervisor de televendas’ da ‘HNK BR Logística e Distribuição ltda’, com vencimentos de R$ 2,9 mil mensais.


Realidade
Evidencia-se, diante dos fatos e documentos expostos, que André Castro não é o “executivo” propagado pelo exército de influencers que, de maneira coordenada — e possivelmente remunerada —, viralizou nas redes no dia de ontem.
O Corinthians acaba de sofrer um duro golpe por acreditar nas mentiras de Augusto Melo.
Alguma lição precisa ser aprendida.
O próximo presidente do Corinthians, além de coragem, competência e seriedade, deve reunir condições comprovadas de se manter em um cargo não remunerado, que exige dedicação integral, 24 horas por dia, à agremiação.
Não é o caso de André Castro.
Por sorte, pelas possibilidades eleitorais realistas e pelo óbvio interesse do retratado em apenas emplacar o negócio, o Corinthians não corre o mesmo risco — como em passado recente — de ver a cadeira presidencial ocupada por outro possível Pinóquio.