Corinthians prepara golpe em meio a calotes nos fornecedores da Arena

A Folha de hoje revela o que, por óbvio, ocorreria: com a REAG liquidada pelo Banco Central, em razão de investigações que a ligam ao PCC, o Arena Fundo FII ficou acéfalo.
Há 15 dias, os fornecedores do estádio de Itaquera não recebem o que lhes é devido.
A responsabilidade é do Corinthians.
Ou seja, mais uma dívida está sendo criada.
A ausência de iniciativa para a substituição da REAG — porque os cartolas estavam amarrados aos interesses da família Monteiro Alves — e a consequente demora para fazê-lo resultarão em novos problemas para o clube alvinegro.
Entre eles, as dezenas de milhões de reais desviados da Arena para fundos de sua então administradora, agora bloqueados para ressarcimento de dívidas e apuração de crimes.
Sem contar o impasse da dívida de R$ 100 milhões que simplesmente desapareceu dos Informes Mensais, sem que existam, há três anos, balanços auditados publicados ou sequer inseridos na CVM.
É um caos do qual o Corinthians é a única vítima.
Ouvido pela Folha, Emerson Piovesan, diretor financeiro do Corinthians “no papel” — mas que assina o trabalho de Rozallah Santoro, impedido de assumir por bloqueio estatutário — afirmou:
“O ponto sensível no momento, em razão da liquidação da Reag, é a impossibilidade de movimentação das contas do fundo, o que impacta temporariamente o pagamento de fornecedores desde o dia 14/01.”
“O clube está atuando de forma ativa para solucionar essa questão e, paralelamente, adotando todas as medidas necessárias para a substituição do gestor e do administrador do fundo.”
Especula-se — e a Folha comenta — que o substituto será o grupo Planner.
Em confirmado, trata-se de uma mudança gattopardista.
O Planner atuava como estruturador jurídico-financeiro das operações da REAG Investimentos, funcionando, na prática, como seu braço técnico em fundos de investimento, reestruturações societárias e engenharia financeira.
Cabia ao grupo a montagem de contratos, emissões e rearranjos de capital que viabilizaram operações hoje investigadas como fraudulentas — algumas delas envolvendo clubes de futebol.
É impossível que a diretoria do Corinthians desconheça esse histórico.
Os cartolas pretendem trocar apenas o CNPJ, sem substituir quem de fato opera o negócio, num movimento que contraria os interesses do próprio clube e preserva os parceiros políticos que orbitam a operação.
