Manobras que viabilizaram desvios de dinheiro do Corinthians a Fundos da REAG/PCC

O Blog do Paulinho, diante de negócios suspeitos realizados entre o Corinthians e a REAG/PCC durante a administração de Duílio “do Bingo” — e mantidos pela omissão das gestões Augusto Melo e Osmar Stabile — analisou documentos da Arena Itaquera S/A, CNPJ do estádio alvinegro, criado para viabilizar o empréstimo junto ao BNDES, posteriormente assumido pela CAIXA.

As apurações revelam movimentações, no mínimo, suspeitas.

Em 10 de outubro de 2022, houve uma reconfiguração da administração da Arena Itaquera S/A.

Antonio Luis Gomes dos Reis Sampaio Garcia, ligado à BRL Trust, deixou a diretoria.

Para seu lugar, foram ‘eleitos’ Danilo Rodrigues Rua, da REAG, e Rui Fernando Almeida Dias dos Santos Junior, representando o Corinthians, com vínculos políticos no Centrão.

Poucos dias depois, em 20 de outubro de 2022, a companhia comunicou à Junta Comercial o extravio dos dois principais livros societários, justamente aqueles que registram a composição acionária e as transferências de ações.

Na mesma data, foi autorizada a recomposição desses livros.

Em seguida, na Assembleia Geral Extraordinária de 25 de outubro de 2022, a Arena Itaquera S/A extinguiu uma dívida de R$ 774,4 milhões com a CAIXA, convertendo-a em capital social, sem, porém, ingresso de dinheiro novo.

O passivo, originado em emissão de debêntures, foi integralmente capitalizado em favor do SCCP Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP Estádio), criado e gerido pela REAG Investimentos, que ampliou de forma significativa sua participação e poder societário na companhia.

O encadeamento dos fatos — troca da diretoria, recomposição de livros societários extraviados e conversão de dívida bilionária em capital — melhora artificialmente o balanço no papel, mas levanta sérios questionamentos sobre governança, transparência, rastreabilidade das ações e o possível uso da estrutura para operações pouco claras, inclusive a facilitação de aportes por meio de fundos de fachada.

Desde então, coincidentemente, o Arena Fundo FII passou a investir em fundos administrados pela própria REAG.

Há três anos, não é apresentado o balanço auditado destas movimentações financeiras.

Duílio “do Bingo” tem muito a explicar.

Mas não apenas ele.

Todas essas operações foram avalizadas pelos departamentos jurídico e financeiro do Corinthians, o que amplia a responsabilidade institucional sobre os atos praticados.


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