Flamengo e o risco Paquetá

O Flamengo comemora a contratação de Lucas Paquetá pela expressiva quantia de R$ 260,5 milhões, a maior transação, até o momento, da história do futebol brasileiro.
Estima-se que os vencimentos do atleta sejam acertados na casa dos R$ 3 milhões mensais, sem contar premiações, bônus e outros penduricalhos.
Trata-se de uma temeridade.
No mês posterior ao término da Copa do Mundo, Paquetá estará com 29 anos.
Salvo — caso esteja lá — uma atuação extraordinária no Mundial, é pouco provável que o Flamengo algum dia recupere o valor investido.
Se o contrato de cinco anos for integralmente cumprido, a chance é praticamente nula.
Os defensores da contratação falam em resultados esportivos.
O argumento faz sentido, mas cabe a pergunta: com o mesmo custo — ou até menos — o Flamengo não poderia contratar dois ou três atletas capazes de manter o alto padrão da equipe, que já é acima da média na América Latina?
Paquetá não é um Zico e, quando muito, rivaliza em qualidade com Arrascaeta.
Na Europa, alternou atuações elogiáveis com outras apagadas.
Na Seleção Brasileira, sequer é titular absoluto.
Talvez o Flamengo tenha considerado importante demonstrar força financeira aos rivais, à semelhança de novos ricos que, por ego, sentem necessidade de exibir aquisições — ainda que elas não sejam imprescindíveis.
O tempo dirá.
Mas o risco, de fato, não é pequeno.
Paquetá, apostador que é, talvez não colocasse seu próprio dinheiro em um investimento como este.
