Impeachment de Casares era previsível

Num dia triste para a história do São Paulo, o Conselho Deliberativo do clube votou favoravelmente à instauração do processo de impeachment do presidente, que, daqui a aproximadamente um mês, deverá ser referendado pelos associados.
Salvo renúncia de Julio Casares — o que seria melhor para o clube e também para o próprio cartola.
Foram 188 votos, dos 171 necessários, contra incríveis 45 que desejavam, por razões nada nobres, a permanência do estado de incompetência e, segundo investigações da Polícia Civil e do MP-SP, de roubalheira.
Era a crônica da tragédia anunciada.
Casares nunca foi gestor de coisa alguma — ao menos de algo relevante.
Sempre foi difícil crer que um funcionário da Record, com finanças comprometidas, conforme revelam ações judiciais, abrisse mão de um salário próximo dos R$ 200 mil para sobreviver com R$ 30 mil mensais pagos pela presidência tricolor.
A conta não fecha.
Em linguagem simples: como explicar à esposa que o padrão de vida da família, voluntariamente, sofreria tamanha redução?
Nesse contexto, surgem as tentações.
Não são poucas, especialmente no ambiente do futebol.
Em regra, cartolas que sobrevivem dos clubes tomam para si, e para os mais próximos, o grosso da “esperteza”, permitindo, para que tudo fique oculto, que ratos menores sobrevivam das sobras.
Eis a explicação para os 45.
Caiu Casares, mas permanecem no poder aqueles que fecharam os olhos para as falcatruas da gestão, a perseguição a adversários e demais ilegalidades, e que somente agora, com o navio afundando, decidiram abandoná-lo.
Não enganam ninguém.
Cabe à oposição, se de fato quiser melhorar o clube, não apenas assumir o poder, escolher nomes melhores do que os que hoje são tratados como favoritos — a maioria, farinhas do mesmo saco.
