A reação ridícula de quem se irritou com o Globo de Ouro

Do UOL

Por JUCA KFOURI

As vitórias do filme “O Agente Secreto” e de Wagner Moura irritaram um punhado de gente.

Na maioria dos que não viram o filme porque discordam das ideias do brilhante diretor Kleber Mendonça Filho e do excelente ator.

Bobagem maior é difícil encontrar, noves fora o direito de gostar ou não do filme.

Equivale a desprezar a obra do genial Nelson Rodrigues porque ele era de direita.

Verdade que, depois do episódio da diabolização da extraordinária Fernanda Torres por causa de campanha publicitária de sandálias, nada mais surpreende no mundo dos negacionistas.

E não vem de hoje.

O Urubu de Taquaritinga Augusto Nunes, por exemplo, teve a coragem de dizer que o documentário “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, indicado ao Oscar em 2020, “perdeu” o prêmio, como se não ganhar fosse igual a perder, o que, no caso, evidentemente não cabe, tamanha a vitória que significa simplesmente ser indicado.

Para o Urubu de Taquaritinga, concurso cultural deve ser tratado como jogo de futebol, típico de quem, aí sim, perdeu — perdeu o senso do ridículo.

Óbvio que você pode não gostar do documentário, achá-lo parcial, discordar do júri do Oscar, mas, considerar como derrotado obra que tenha ficado entre as cinco finalistas na produção anual mundial de documentários traz, por extenso, a assinatura do asno.

Agora a estultície se repete com a reação à nova vitória da cultura brasileira, mais ou menos assim como quem torceu contra a Seleção Brasileira durante a ditadura e confundiu alhos com bugalhos, ou a identificou com o obscurantismo bolsonarista.

Aliás, na reação patética às conquistas do cinema nacional, aí incluído o histórico filme “Ainda estou aqui”, de Walter Salles Júnior, há quem reivindique não falar mais da ditadura, porque lá se vão mais de 60 anos do golpe de 1964 e, “já deu!”.

Revelação maior de má consciência é impossível.

Trata-se de quem pede o esquecimento dos torturadores, os verdadeiros, aqueles homenageados pelos derrotados na eleição de 2022 — não o STF, que pôs alguns poucos deles no lugar que lhes cabe, a cadeia.

Essencial lembrar para nunca mais acontecer, o cinema argentino sempre foi exemplar ao informar as novas gerações, conduta seguida por nossos cineastas.

Ver premiada a retomada cultural, depois de quatro anos de retrocesso, irrita os reacionários, ainda mais porque na terra de Tio Sam, não no Festival de Havana.

São obtusos ignorantes da História do Brasil nos tempos de JK, finais dos anos 1950, quando o entusiasmo contagiou o país, da construção de Brasília ao Cinema Novo, à Bossa Nova, além das conquistas esportivas nas Copas do Mundo de futebol e basquete, com Éder Jofre no boxe , Maria Esther Bueno no tênis, Manoel dos Santos na natação e até na pesca submarina, com o título mundial de Bruno Hermanny.

Os patriotas de meia tigela querem abrir a bandeira dos Estados Unidos na Avenida Paulista, torcer para Donald Trump taxar nossos produtos, além de enfeitar suas cabeças entreguistas com bonés do MAGA.

Não se cansam de perder, de fazer papéis lamentáveis, de babar de raiva e, pior, de demonstrar publicamente que as derrotas subiram às suas entorpecidas mentes.

Que o futebol brasileiro volte a nos dar as mesmas alegrias, e empate com os feitos do cinema, é o que o brasileiro de verdade deve desejar.

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