Rubão se deu bem no Corinthians

Poucos erraram — em alguns casos, deliberadamente — e se deram tão bem nos bastidores do Corinthians quanto o conselheiro Rubens Gomes, o Rubão.
Por ação direta sua, Augusto Melo tornou-se presidente.
O rompimento ocorreu por desacordo comercial, mas, àquela altura, o clube já estava profundamente prejudicado.
Não era o primeiro erro de Rubão no Parque São Jorge.
No passado, o cartola montou o time que culminou no rebaixamento no Brasileirão — episódio que viria a se repetir recentemente, não fosse a decisão do clube de gastar o que não tinha para evitar novo desastre.
O time não caiu, mas a dívida hoje se aproxima de R$ 3 bilhões.
Derrubado o presidente, assumiu Osmar Stabile, a quem Rubão sempre tratou, nos bastidores, como “idiota” ou ‘capacho da Entidade’.
‘Entidade’, no caso, era como se referia ao conselheiro Edgard Soares.
O futebol da gestão Stabile — profissional e de base — está sob influência de Fran Papaiordanou.
Ou “Gerson”, como Rubão costumava desqualificá-lo, em apelido criado por ele próprio, numa referência ao “jeitinho” de querer levar vantagem, eternizado na peça publicitária protagonizada pelo campeão mundial de 1970.
Apesar de tudo isso — e de os cartolas citados saberem perfeitamente como eram tratados — o ex-diretor do rebaixamento ingressou na atual administração.
Sem cargo formal, mas fazendo negócios.
Foi dele a indicação da empresa, com apenas um ano de CNPJ, tendo o proprietário investigado em CPI, que pretendia substituir o patrocínio master do clube — proposta com ficha tão comprometida que nem o flexível compliance alvinegro ousou assumir o risco.
Na política interna, Rubão deixou o grupo de Augusto e ingressou no União dos Vitalícios, liderado por Fran.
Difícil saber o que é mais constrangedor.
Não é à toa que o Corinthians se encontra em situação tão desesperadora.
