Pacaembu sob ataque

No passado, ainda público, o estádio do Pacaembu foi alvo de um esquema de desvio de dinheiro sob comando do ex-árbitro José de Assis Aragão — não por acaso condenado, duas vezes, a ressarcir os cofres públicos.
Décadas depois, os ataques — agora sob nova direção — não cessaram.
Os atuais gestores, representantes da iniciativa privada, mesmo usufruindo do mais valioso contrato de naming rights do país, estão dando calote generalizado.
A crise que abala a Allegra Pacaembu, concessionária responsável pelo complexo, expõe um colapso financeiro que desmonta por completo o discurso de modernização vendido pela empresa.
São 468 protestos em cartório, envolvendo 94 fornecedores e mais de R$ 17,3 milhões em dívidas não pagas.
A Allegra não quitou sequer a conta de luz: a Enel protestou um boleto superior a R$ 100 mil, vencido desde setembro, sem qualquer contestação.
E os problemas não começaram agora.
Sob comando do CEO Eduardo Barella — que, no passado, tentou agredir o jornalista Demétrio Vecchioli — a empresa prometeu transparência, eficiência e um “novo Pacaembu”, mas entregou atrasos sucessivos nas obras, revisões constantes no projeto, conflitos com órgãos de preservação e problemas estruturais como alagamentos.
Um caos.
Com claros indícios de que um golpe pode estar em curso.
Consulta simples ao site do TJ-SP revela que Barella não é exatamente afeito ao cumprimento de contratos.
Há processos que vão desde calote em marceneiro até questões bancárias.
Não surpreende, portanto, que o Pacaembu — entregue a mãos tão evidentemente desequilibradas — tenha acumulado episódios constrangedores nos últimos anos.
Resta saber se o cenário atual revela apenas incompetência ou se integra um método bem calculado: enriquecer a partir de uma grande operação de marketing, sem cumprir as obrigações fundamentais do projeto.

Por que privatizar um estádio? E por que demoliram o tobogã para construir mais um prédio em São Paulo? A coisa mais bizarra que existe é o Pacaembu nas most da iniciativa privada.