FPF, Petrobrás e o excesso de esperteza

Sem alarde, a Federação Paulista de Futebol alterou seu Estatuto para conceder, à margem da lei, a possibilidade de uma segunda reeleição a Reinaldo Carneiro Bastos.
A manobra foi seguida por um acordo — igualmente ilegal — para receber R$ 7 milhões em patrocínio da Petrobrás.
A estatal é proibida de firmar negócios com federações, confederações ou clubes que descumpram as regras da Lei Geral do Esporte, a qual impede o repasse de recursos públicos federais a entidades que permitem mais de uma reeleição consecutiva a seus dirigentes.
Segundo denúncia apresentada ao TCU, que agora investiga a operação, a Petrobrás pode ter sido induzida a erro, sem ser informada pela FPF sobre a mudança estatutária.
Se confirmado, trata-se de coisa digna de ORCRIM.
Além da própria Federação, são investigados Reinaldo Carneiro Bastos — o principal beneficiado —, o ex-jogador Mauro Silva e o vice-presidente Fernando Solleiro, todos supostamente coniventes com a trama.
Não surpreende.
Mas é especialmente lamentável no caso do tetracampeão mundial, que até então mantinha a aparência de integridade — não de inocência, claro — em meio ao lamaçal que envolve os bastidores de FPF, CBF e companhia.
