Kiko ‘mão leve’ trabalha no Corinthians ao mesmo tempo em que é investigado por graves crimes

Durante a gestão Augusto Melo, a conselheira vitalícia Miriam Athiê — a mesma que agora tenta empurrar ao clube a SAFIEL, bancada pelo próprio sobrinho — estabeleceu como contrapartida para apoiar o então presidente do Corinthians a contratação de um de seus parceiros.

Tratava-se de Alcemir Silva Soares, 54 anos, vulgo Kiko “mão leve”.

O apelido, ao que tudo indica, não é gratuito.

Kiko tornou-se funcionário do Corinthians, com o cargo de gerente comercial, responsável, entre outras atribuições, pela intermediação de negócios na Arena de Itaquera — e segue assim, mesmo após a mudança de presidência.

O que, como veremos adiante, revela-se temerário.

No momento, “mão leve” é investigado criminalmente pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público de São Paulo em diversas ações que relatam fraudes em licitações no município de Guarulhos.

Segundo denúncia, o protegido de Athiê — também experiente em processos licitatórios — cobraria 10% de comissão sobre o valor final dos contratos firmados.

Em oitiva no MPF, Kiko exerceu o direito ao silêncio.

Na Justiça de São Paulo, onde responde por ‘quadrilha ou bando’, um dos casos segue investigado.


Agressão à mulher

Enquanto no ambiente comercial é tratado pela alcunha de “mão leve” — referência que encontra amparo em diversos processos, entre criminais, cíveis e tributários — dentro de casa a fama de Kiko era outra.

A de “mão pesada”.

Em 2017, o protegido de Athiê foi acusado pela ex-esposa — e também pelas próprias filhas — de agressões, tortura psicológica e ameaças de morte, em procedimento que resultou na concessão de medidas protetivas.

Os depoimentos da ex-esposa e, sobretudo, das filhas — que, embora maiores de idade, preservaremos — foram contundentes.

Mais do que suficientes para que o Corinthians, não apenas pelas ações criminais que o cercam, mas em respeito às mulheres, adote providências imediatas, ainda que tais medidas contrariem os interesses da conselheira parceria da SAFIEL.


Depoimento de Claudia (ex-esposa)

Comparece a vítima informando que seu ex-marido, com quem foi casada por vinte e seis anos, sempre foi pessoa agressiva, somente com relação a sua família.
Informa, ainda, que já foi agredida pelo autor por reiteradas vezes e que este a ameaça e a persegue; que já fez registrar ocorrências anteriores, vezes pela própria vítima, vezes pelas filhas do casal.

Ao que se recorda, em 12/11/2016, o autor lhe ameaças de morte, dizendo: “vou acabar com sua vida, vou te matar.” Nesta mesma data, jogou lixo na rua, jogou sobre a mesa da cozinha e disse a sua filha: “é isso que sua mãe vai virar… lixo”.

Em 19/11/2016 o autor, a vítima chegou no prédio em que vivem, ao que, o autor, alcoolizado, a abraçou e foi caminhando até um local onde não havia câmeras, local em que agrediu a vítima com socos em sua cabeça e puxões de cabelo. Também lhe pegava pelos cabelos e socava sua cabeça contra a parede. A vítima informa que o autor gritava: “você me tirou da sua vida, você me roubou”.

Relata a vítima, na ocasião, pediu por socorro e o porteiro de seu prédio viu o que acontecia, mas não tomou nenhuma atitude em seu favor, pois, segundo a vítima, todos têm medo do autor. Informa que deste evento registrou ocorrência.

A vítima falou na delegacia: “para, para que eu vou denunciar você”, ao que o autor dizia: “pode me denunciar, por que eu sou advogado e você não consegue provar que fui eu, por que vou simular um assalto ou acidente de carro…”.

Nesta ocasião, de madrugada, ao que a vítima desceu até o prédio, no fundo da guarita, estava o autor, fumando maconha, a que o porteiro diz: “eu vi debaixo da guarita, eu vi você agredindo ela não adianta negar”. O porteiro, no que a vítima ouviu, disse ao autor: “não susegue, ela não é mais a sua mulher”. O porteiro, veio a contar o ocorrido à filha da vítima, Bruna.

Em 14/12/2016, no momento em que a vítima, no subsolo do estacionamento de sua garagem, ao entrar em seu carro, o autor veio a pegar-lhe pelos cabelos e jogá-la de dentro do veículo e ameaçou dizendo: “você pediu para morrer… grava esse dia”.

Informa que houveram várias outras ocasiões onde aconteceram agressões e ameaças, mas não recorda a data exata.
Diz que nos fatos, dia 08/01/17, na madrugada, o autor foi até o prédio onde a vítima mora e passou a perguntar se ela estava em casa, e se as filhas estavam.
Que as ameaças eram de tirar suas vidas, gritaria, e estava muito alcoolizado.

O autor então embora e retornou por volta das 6h e parou com o carro defronte a portaria do prédio, desceu do carro e ao apontar para o prédio, mostrando o local onde a vítima reside e suas filhas, às 6h50min, voltou novamente e ficou rondando os carros por um período de tempo. A vítima teme que o autor estivesse mostrando o local e os veículos a alguém que, a seu mando, possa vir a fazer algum mal para ela ou para as filhas.

Diante de todos esses eventos, a vítima teme por sua vida e pela de suas filhas e solicita a concessão de medidas protetivas de urgência.


Depoimento da Filha nº 1

Desde criança, por volta de 7 anos de idade, vejo o Sr. Alcemir Silva Soares, meu genitor, agredir minha mãe, Cláudia Alaide Varelas, fisicamente e psicologicamente. Além de fazer constantes ameaças de morte.

Após 27 anos de casados, a mesma teve coragem de pedir o divórcio, no qual o mesmo não aceitou e não assinou.

O Sr. Alcemir Silva Soares também faz difamações e conta calunias, para terceiros, sobre Cláudia Alante Vieira.

Quanto a mim, nunca tive um bom relacionamento com o Sr. Alcemir por conta de tudo que presenciei dentro de casa, e também por ser vítima de agressões físicas e psicológicas.

Ele sempre foi uma pessoa extremamente agressiva e intimidatória, no qual sempre nos deixava com medo dele.

Portanto, só quero distância do Sr. Alcemir Silva Soares.


Depoimento da Filha nº 2

Em 18 anos de convivência com meu pai, Alcemir Silva Soares, não houve um dia que eu não tenha presenciado torturas mentais e físicas do mesmo contra minha mãe, Cláudia Alaide Varelas, onde a mesma sofria constantes ameaças.

Diante disso, ela pediu divórcio, o qual ele se recusou a assinar e, desde então, se mostrou ainda mais agressivo.

Diante disso, evito contato com ele, apenas se o assunto for de extrema importância, exemplo: o pagamento da minha faculdade.

E assim se segue, pois, diante dos fatos citados, me gerou um medo e receio do meu próprio pai.

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