Santos, Neymar e o PCC

A casa de apostas 7K, patrocinadora do Santos Futebol Clube, foi citada pela Polícia Federal na Operação Narco Bet, deflagrada na última terça-feira (14), resultando na prisão do influenciador Buzeira e do contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como operador financeiro do PCC.
Morgado apresentava-se, nas redes sociais, como investidor da SAF do Monte Azul, clube que tem como proprietários Neymar Pai — com recursos do filho — e Emerson Sheik.
Após a prisão, o clube divulgou nota alegando que Morgado seria apenas “patrocinador”.
No entanto, não há registro público de qual produto ou marca teria sido vinculada ao suposto patrocínio — nenhuma das exibidas no uniforme pertence ou mantém ligação com o empresário.

A 7K chegou ao Santos por intermédio de Neymar Pai, evidentemente com o conhecimento do jogador, que, segundo fontes, teria lucrado com a operação.
De acordo com as investigações, Morgado seria o articulador de um esquema de lavagem de dinheiro e movimentações milionárias em criptomoedas fora do sistema bancário oficial.
Ele é acusado de estruturar operações financeiras para a Ana Gaming — grupo que representa a 7K — e outras empresas ligadas a casas de apostas, como BRX.BET e RICO.BET, ambas controladas, segundo a PF, por Buzeira, que chegou a tentar comprar as categorias de base do Corinthians durante a gestão Augusto Melo.
O juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, determinou o bloqueio de até R$ 631 milhões em bens do Grupo Ana Gaming, o que pode comprometer o pagamento do contrato de patrocínio da 7K com o Peixe, válido até 2027.
Relatórios do Coaf revelaram transferências suspeitas realizadas por Morgado — descrito como um “verdadeiro banco particular” de outros investigados — com movimentações que somariam centenas de milhões de reais.
Parte dos recursos, conforme a PF, pode ter origem no tráfico internacional de drogas.
Não é a primeira vez que a gestão Marcelo Teixeira se vê próxima de temas dessa natureza.
O policial maçom Orlando Rollo, figura atuante no clube, foi preso sob acusação de extorquir traficantes internacionais no Porto de Santos, sendo liberado apenas após a Justiça considerar ilegais as escutas telefônicas utilizadas pela Corregedoria.
