A importância de o Ocidente reconhecer a Palestina

De O GLOBO
Por GUGA CHACRA
Argumento do premier Benjamin Netanyahu de que um Estado palestino coloca em risco a existência de Israel não se sustenta
Com enorme atraso de anos, o Reino Unido, Canadá e a Austrália reconheceram o Estado palestino neste domingo. Como já escrevi aqui uma série de vezes, não reconhecer o direito a uma Palestina independente existir é tão repugnante como não reconhecer o direito de Israel existir.
O argumento do premier Benjamin Netanyahu de que um Estado palestino coloca em risco a existência de Israel não se sustenta. Em primeiro lugar, porque por essa lógica os 5 milhões de palestinos na Cisjordânia e em Gaza deveriam se perpetuar como um povo sem cidadania e sem Estado. Afinal, Netanyahu não dará cidadania israelense para eles em um ato quase sem paralelo no mundo — curdos não têm Estado, mas são cidadãos turcos; bascos não têm Estado, mas são cidadãos espanhóis. Já os palestinos não teriam Estado e tampouco cidadania?
Em segundo lugar, Israel é disparado a maior potência militar da região e tem o apoio da maior potência militar do planeta. É completamente impossível imaginar que um Estado palestino possa fazer algo que coloque em risco a existência de Israel. E a Palestina poderia seguir o modelo da Costa Rica, sendo desmilitarização.
Outro argumento é de que não há uma nação palestina formal. Mas essa não existe porque Israel ocupa ilegalmente os territórios palestinos. Qual o argumento para os assentamentos na Cisjordânia?
O reconhecimento da Palestina por nações ocidentais pode pressionar um futuro governo israelense a retomar as negociações com a Autoridade Nacional Palestina. Mas não há a menor possibilidade de isso ocorrer enquanto Israel for governada pela coalizão extremista se Netanyahu, que não reconhece o direito de a Palestina existir, mesmo após um acordo de paz.
