Como salvar o bebê CLT

Da FOLHA
Por TATI BERNARDI
Não falam, não andam, mas já são embaixadores de marcas
Minha filha pediu que eu a filmasse dançando e colocasse no meu “istragam”- acho o nome bom demais para corrigi-la. Perguntei o que ela esperava com isso e ouvi o seguinte: “Que a minha professora Lili veja porque eu sei que ela te segue”. Falei que mandaria o vídeo diretamente para a professora e ela topou.
Essa cena me lembrou a quantidade infinita de vezes em que entrevistei jovens atrizes e geradoras de conteúdos que defenderam a exposição publicitária de seus filhos pequenos nas redes sociais com a maior cara de sonsa consciente: “ele que pede porque adora aparecer, eu só estou respeitando a natureza do meu filho”. Ou ainda: “mas toda publicidade que ele faz vai em parte pra poupancinha dele porque eu não estou explorando meu filho”.
Será que o filho ou filha adora mesmo TRABALHAR pros milhões de seguidores desses pais ou só gostariam de ser vistos brincando dentro de um mundo amoroso e seguro (que não existe)? Quando entenderem que a vida real é cheia de pedófilos e a virtual infestada de deep fakes, o que vão sentir por terem a vida exposta por férias na neve e na Disney desde que eram fetos? Será que sabem que são peças importantes no sustento de um alicerce que deveria ser erguido apenas para protegê-los?
Como será o futuro dos bebês CLT? Não falam, não andam, mas já são embaixadores de marcas e já pagam o salário da própria babá que vai ficar com eles para os pais viajarem pra alguma rota imbecil de vinho ou pra algum resort idiota em Dubai (também com a grana que o filho pequeno ajudou a levantar). O que esse bebê, quando adulto (se Deus quiser com algum discernimento) vai sentir quando souber que o primeiro teste de gravidez já foi uma publi? Que todas as festas de mesversários foram infinitas publis? Que a primeira papinha foi…adivinhem? Publi. Que a vida toda dele é como um Truman Show publicitário?
Há alguns anos eu tenho horror de influenciadores e geradores de conteúdos que expõe publicitariamente seus filhos e a sua plena e salutar vida em família (e mesmo que um vídeo não tenha uma marca por trás é sempre no intuito de que os clientes apareçam que são exibidos diária e escancaradamente). Deixo bem claro para a equipe que trabalha comigo: não entrevisto mais bolsonaristas e nem pais de bebês CLT. Vez ou outra escapa uma dessas criaturas e é só ver a minha face as entrevistando.
Transformar rotina familiar em série de sucesso só funciona e fica de bom gosto se você for parente do Gilberto Gil. Quando pais largam seus empregos para se dedicar a filmar filhos pequenos abrindo recebidinhos o dia todo eu tenho vontade de pedir para alguma deputada do PSOL entrar com projeto de lei em defesa do bebê CLT (que nem CLT é, coitado, é só mais um uberizado por patrões ricos).
Tenho ainda mais ódio quando exibem a criança chorando, fazendo manha, caindo, sendo enganada. E asco quando o filho sai meio chapado de algum exame com anestesia e eles pensam “ah que ótimo! Uma criança drogada! Vai dar engajamento!”.
São seres humanos, são seus filhos, são a coisa mais sagrada que vocês têm! Quer ganhar dinheiro de publi explorando criaturas pequenas escolha ser pai ou mãe de Pet. Eu não me incomodo em ver um bebê labrador fazendo sua mãe enriquecer com publis de rações orgânicas, ainda que eu espere, do fundo do meu coração, que esse cãozinho também tenha sua poupancinha pra fazer terapia quando se tornar um cão adolescente revoltado.

“São seres humanos, são seus filhos, são a coisa mais sagrada que vocês têm”. Aposto meus dois rins q a tati bernardi nao quer a filha dela na CLT né? entao para de encher o saco e deixem as pessoas aproveitar essa epoca em q é possivel fazer mais grana com rede social do q na CLT. Aaaa e seus filhos nao sao seus, vc os cria para terem A VIDA DELES, espere eles crescerem só um pouquinho, e pergunte se eles preferem fazer publi e ter seguidores ou bater cartao oito horas por dia. Va se catar