Robinho e a oficina do Diabo

 

O Globo, na edição de hoje, revela que o hacker Walter Delgatti — parceiro de Carla Zambelli — e o ex-jogador Robinho, ambos presos em Tremembé, estariam articulando a entrada no ramo de apostas esportivas assim que cumprissem suas penas.

Ainda é cedo para cravar que a ideia vá adiante.

A ociosidade do cárcere costuma fomentar devaneios nas mentes de quem carece de boas referências.

“Cabeça vazia, oficina do Diabo”, diz o velho ditado popular.

Só a cogitação dessa possibilidade — comentada, de fato, por alguns funcionários do presídio com os quais mantemos contato — revela que o ex-jogador, apesar da punição pelo gravíssimo crime cometido, continua imaturo.

Associar-se a Delgatti, criminoso contumaz, em qualquer negócio — salvo o convívio carcerário, onde a tolerância é obrigatória — é abrir caminho para confusão.

Principalmente quando, como é o caso de Robinho, há um filho atuando profissionalmente no futebol.

Ainda restam alguns anos até o cumprimento integral da pena.

Tempo suficiente para que, superada a fase dos habeas corpus improdutivos — que apenas enriquecem advogados e alimentam esperanças indevidas nos apenados —, a realidade se imponha a Robinho.

É o período em que o preso deixa de pensar “para fora” e passa a encarar, como definitivo, o dia a dia de sua rotina.

A partir daí as prioridades são outras.

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