Novo diretor do Corinthians mantém o perfil da gestão Augusto Melo

O técnico eletricista Sergio Murilo Hermogenes da Cruz, 63 anos, que disputou as eleições para o Conselho Deliberativo alvinegro – e perdeu – pela grupo ‘União dos Vitalícios’, tomou posse como diretor de Relações Institucionais do Corinthians.
Não poderia haver perfil mais alinhado ao do presidente Augusto Melo.
Sérgio é Secretário Parlamentar do Deputado Arnaldo Jardim – conhecido, entre outras coisas, por utilizar dinheiro da Câmara para pagar a empregada doméstica e, segundo delação de ex-funcionário do Metrô, acusado de beneficiar-se de suposto mensalinho para ajudar empresas ligadas ao setor.
A dupla intermediou, também, a aproximação do então governador Rodrigo Garcia com o bolsonarismo.

Assim como Augusto, o novo diretor é caloteiro contumaz.
Apesar de embolsar R$ 15,8 mil mensais pelo cargo na Câmara (R$ 11,6 mil líquidos) – sua única renda declarada, Sergio Murilo, antes da posse da nova gestão corinthiana, passou anos (quase uma década) devendo condomínio (quitou apenas em fevereiro de 2024), IPTU (honrado em março de 2025), entre outras cobranças, facilmente encontradas no sistema judicial.
Deve ainda, porém, o Imposto de Renda.
Desde 2024, a Receita Federal tenta, sem sucesso, a citação.
Há dois meses, uma carta enviada ao endereço de Murilo foi recebida pelo porteiro, mas, aparentemente, ignorada pelo destinatário, que ainda não se manifestou nos autos – que tramitam na 12ª Vara Federal de São Paulo.


Coincidentemente, assim como ocorrido com diversos colaboradores da gestão Augusto Melo, o novo diretor do Corinthians, em 16 de janeiro de 2024 (um mês antes de quitar a pendência condominial), constituiu a empresa ‘Alvorada Assessoria e Intermediações de Negócios Ltda’, com capital social de apenas R$ 1 mil, sediada a uma quadra de Parque São Jorge.
Não há, desde então, qualquer sinalização de que tenha prestado serviços, oficialmente, a cliente algum, assim como inexiste, na internet, qualquer menção à sua operação.
Até mesmo a sede da empresa, em documento oficial (inserido na JUCESP), é descartada como local de funcionamento – sem a indicação, porém, de outros endereços (a Rua Santa Catarina nº 707 é apontada apenas como ‘domicílio fiscal’, para ‘recebimento de correspondência’ e ‘contatos telefônicos’).
Caio Hermogenes, parente de Sergio Murilo, também funcionário público, foi designado como ‘administrador’ do empreendimento,




Dono de empresa de ‘intermediações’ que, aparentemente, funciona apenas no papel, mau pagador, devedor de Imposto de Renda, ligado ao que há de pior na política nacional, Sergio Murilo possui o perfil adequado à gestão Augusto Melo.
Não é compatível, porém, com o exercício da função de ‘relações institucionais’ – que, nesse contexto, agride a imagem do clube.
Como em todo ‘final de feira’, sobraram na diretoria apenas os que, aparentemente, precisam ganhar dinheiro ou, em busca de status, não possuem reputações relevantes a serem afetadas.

ATUALIZAÇÃO
Após a publicação da matéria, Fran Papaiordanou, um dos líderes do ‘União dos Vitalícios’, enviou-nos a seguinte nota:
“O movimento União dos Vitalícios não mantém em seu grupo conselheiros ou sócios que não estejam alinhados com sua filosofia!”
“Apoiou a chapa 88, que tinha como um dos integrantes Sr. Sérgio, pessoa que após as eleições não tivemos mais contado!”
