Como a CBF explica o Brasil

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Outra vez jornalista despe o comandante do futebol brasileiro e mostra a sujeira

Nomear os repórteres que desde os anos 1980 investigam e denunciam as mazelas da CBF seria tedioso e causaria injustiças —seja por esquecimento, seja por mudança de lado.

Lúcio de Castro, de todos, o que pagou, e paga, o preço mais alto pela coragem de suas investigações na agência Sportligth, representa aqueles que não se curvaram ao poderosos e, assim, não mostraram o traseiro aos oprimidos, como diria Millôr Fernandes.

Enfim, cumprir com a obrigação merece reconhecimento e prescinde de elogio.

Allan de Abreu, junto com Carlos Petrocilo, já havia publicado, em 2018, o livro “O Delator”, no qual é contada a infame história de J. Hawilla, que corrompeu boa parte da cartolagem da América do Sul e, pego no Fifagate, entregou um por um para se livrar da cadeia.

Até gravar Ricardo Teixeira numa mesa de jantar ele gravou para dar a fita à polícia americana.
Abreu acaba de publicar alentada reportagem na revista “Piauí” sobre velho parceiro de Teixeira, e atual presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.

Não surpreende quem há décadas acompanha os bastidores de uma das entidades mais sujas do país, mas estarrece o cidadão comum.

Porque revela muito além do submundo da cartolagem, envolve deputados, senadores e até o STF.
A leitura da reportagem de Abreu explica o 7 a 1 da Copa do Mundo de 2014 e o 4 a 1 das Eliminatórias deste ano.

Explica mais: explica o Brasil e a impunidade dos de colarinho branco.

O que a repórter Daniela Pinheiro fez, em 2011, na mesma “Piauí”, quando enterrou Ricardo Teixeira com suas próprias declarações, Abreu repete com igual competência.

Sem tantas aspas, porque Rodrigues respondeu às perguntas por escrito (ou seja, não respondeu, seus assessores o fizeram), suficientemente ladino para saber que não é inteligente o bastante para conversas a sós com jornalistas independentes.

Definitivamente faz sentido que a massa incauta tenha escolhido a camisa da Casa Bandida do Futebol para suas manifestações contra a corrupção.

É como diz o jornalista inglês do jornal espanhol “La Vanguardia”, Andy Robinson: “O Brasil é um país formidável porque o único que acha explicação para o inexplicável”.

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