A onipotência do MP

Da FOLHA

Por ELIO GASPARI

Durante o apogeu da Lava Jato, procuradores de Curitiba tiveram seus bons momentos de fama e onipotência. Deu no que deu.

Em 2023, o promotor Walber Luís do Nascimento comparou a advogada Catharina Estrella a uma cadela durante uma sessão do Tribunal do Júri em Manaus.

Nas suas palavras, explicando-se: “Eu disse que os cachorros eram fiéis, leais. E levando em consideração a lealdade, eu não poderia fazer essa comparação [da advogada] com uma cadela, porque senão estaria ofendendo a cadela”.

A advogada moveu uma ação contra o doutor que, 16 dias depois, aposentou-se por tempo de serviço, com R$ 42.300 mensais.

O juiz que presidiu a sessão foi censurado pelo Conselho Nacional de Justiça, mas a ação da advogada Estrella está parada porque dez ilustres membros do Ministério Público declararam-se impedidos. Até aí, seria o jogo jogado, mas o pulo do gato está num detalhe: a denúncia pode prescrever neste ano.

Pelo andar da carruagem, o promotor Walber Luís do Nascimento pode se safar, jogando na frigideira a imagem do Ministério Público, com a ajuda de colegas onipotentes.

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