O PCC segue na órbita do Corinthians

Cyllas Elia

No recente dia 04, o Blog do Paulinho revelou que o departamento jurídico do Corinthians estudava, a pedido do presidente Augusto Melo, rompimento litigioso com Onefan e LigaTech, responsáveis, respectivamente, pela gestão do ‘Fiel Torcedor’ e do acesso de ingressos à Arena de Itaquera.

Havia três empresas interessadas em assumir o serviço: BWA (agora TicketHub), FENG e ‘2 Go Bank’.

Todas complicadíssimas.

A BWA protagonizou CPIs e investigações em que a cúpula da CBF foi acusada de crimes diversos; a FENG foi flagrada pelo Blog do Paulinho ofertando dinheiro ao presidente do Fluminense e a ‘2 Go Bank’ acaba de ter seu proprietário, o policial Cyllas Elia, preso sob suspeita de ligação com o PCC – o agente foi delatado por Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, executado, cinematograficamente, no Aeroporto de Cumbica.

Elia havia proposto repasse de R$ 100 milhões ao Corinthians para assumir Fiel Torcedor, catracas da Arena e Parque São Jorge, venda de ingressos e também a criação de um ‘banco do Corinthians’.

As tratativas, segundo fontes, estariam sendo tocadas por Marcelo Mariano (operador da presidência no caso Vai de Bet).

O torcedor do Timão há de se lembrar que, nas eleições alvinegras, uma das promessas de Augusto Melo era a criação de banco digital em nome do clube, que ele dizia estar ‘acertado com o investidor’.

Cyllas ajudou a bancar a campanha presidencial do cartola.

O 2 Go Bank tem como principal produto a circulação de Bitcoins, justamente a modalidade escolhida pelo clube para o recebimento de boa parte dos seus contratos de patrocínio, entre os quais os da ‘Vai de Bet’ e da ‘Esportes da Sorte’.

Não é a primeira notícia que junta a nova administração alvinegra com a principal facção criminosa da América Latina.

Houve a prisão de um dono de posto de combustíveis que Augusto utilizava como local de reunião, a constatação de que o dinheiro do clube, no negócio Vai de Bet, foi encontrado em contas correntes controladas pela facção, as suspeitas diante de algumas escolhas do corpo de seguranças, a colocação de pessoa ligada a clube do ABCD, investigado por associação aos criminosos, em posição de comando em Parque São Jorge, etc.

São muitas coincidências.

É pouco provável que não sejam tratadas, em conjunto, com outras investigações que circulam o Corinthians.


Luis Fabiano e Cyllas Elia na sede da 2 Go Bank

OUTRAS LIGAÇÕES DA ‘2 GO BANK”

Entre os sócios do ‘2 Go Bank’ (fora do contrato social) estaria o ex-jogador Luis Fabiano, tratado pela mídia apenas como ‘garoto propaganda’ do empreendimento.

O ex-Tricolor é acusado, em ação promovida por Giorgia Moreli da Silva e Emilio Moreli Tineu, de ter roubado a ideia do banco e apresentando-a aos investidores.

No caso, Cyllas Elia, delatado como operador do PCC.

Foi através do ‘Fabuloso’ que a empresa fechou acordo com a facção Independente, formada por pessoas que se apresentam como torcedoras do São Paulo.

No processo, Giorgia conta detalhes da aproximação com Luis Fabiano:

“Essa reunião ocorreu de forma remota no dia 16.08.2022, estando inicialmente Emilio, BOVOLON e LUIS FABIANO, onde o Emílio fez uma breve apresentação do produto, incluindo seus diferenciais competitivos e reiterando a solicitação para que ele “abrisse” as oportunidades dentro do clube”

“(…) no dia 15.07.2023, os autores tomaram conhecimento de que os réus MARCELO GRIMALDI e LUIS FABIANO iniciaram o projeto de bancarização através da tecnologia de BAAS, denominado de “BANK 1972”, referente ao Banco/Conta Digital (BANCO/BANK) da Torcida Independente do São Paulo FC, com a empresa ré 2GO INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO LTDA, oferecendo todos os mesmos serviços e produtos financeiros, as mesmas estratégias mercadológicas, comerciais, incluindo o diferencial do modelo de negócio desenvolvido pela autora GIORGIA, ou seja, pautando em todas as premissas e estudos, levantamento e material, know-how, projeto e modelo e plano de negócio elaborado pela autora GIORGIA, sem qualquer participação ou mesmo autorização dos autores”

“Em relação aos réus CRISTIANO BOVOLON, LUIS FABIANO e MARCELO GRIMALDI, a responsabilidade dos mesmos é evidente, uma vez que os autores apresentaram todas as informações, estudos, projetos e dados a eles, sendo que eles não detinham nenhuma informação, ou conhecimento sobre os temas apresentados pelos autores, e aproveitaram-se, de forma maliciosa, para se apropriar de tudo que foi desenvolvido e realizado pela autora Giorgia, para oferecer à ré 2GO e assim realizar parcerias com o intuito de obter ganhos ilícitos à custa dos autores”

“O ato ilícito e abusivo dos réus CRISTIANO BOVOLON, LUIS FABIANO e MARCELO GRIMALDI afigura-se inconteste no presente caso, pois os réus obtiveram todas as informações, estudo e levantamentos feitos pela autora GIORGIA, assim como participaram de diversas reuniões, com o intuito de se apropriar de todas essas informações e posteriormente repassar todos esses documentos a outra empresa – neste caso a ré 2GO – e assim celebrar parcerias e obter ganhos, sem qualquer participação ou qualquer contra prestação aos autores”

“Em relação à ré 2GO, os atos ilícitos também se afiguram comprovados, eis que é a empresa que esta se utilizando de forma direta de todos os estudos e levantamentos feitos pelos autores, também sem o devido consentimento destes e a devida remuneração”

Luis Fabiano assinou, assim como ocorrido com Gusttavo Lima no negócio ‘Vai de Bet’, contrato de cessão de imagem, embora, ao menos pelas informações prestadas no referido processo, pareça ser muito mais do que isso.

O 2 Go Bank assinou também contrato com o Vitória/BA.

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